domingo, 20 de outubro de 2013

Resenhas

Arrumando o computador, encontrei algumas coisas bacanas que falaram sobre os meus livros. Entre elas , uma de Tatiana Belink.. ah!
Resenhas

CRÍTICOS DE SP PREMIAM OS MELHORES DE 94
Mànya Millen- O Globo 28 de março de 1995
O casamento perfeito entre ilustrações de primeira qualidade e textos de escritoras consagradas só poderia acabar em prêmio. Por isso, “Chamuscou não queimou”, o penúltimo de seis volumes da coleção “Assim é que se lhe parece”, lançada em agosto do ano passado pela Ediouro, recebe hoje à noite, no Teatro Municipal de São Paulo, o prêmio de melhor livro infantil de 1994 concedido pela Associação de Críticos de Arte - que também premia as áreas de teatro, televisão e artes plásticas. O livro , de concepção editorial e gráfica, une as histórias de Angela Carneiro, Lia Neiva e Sylvia Orthof às delicadas ilustrações criadas por Elisabeth Teixeira, Mariana Massarani e Roger Mello.
A coleção foi idealizada por Helena Rodarte, editora da área infanto-juvenil da Ediouro. Para ilustrar à altura dos ótimos textos de Angela, Lia e da mais que premiada Sylvia Orthof, Helena escolheu Elisabeth, Mariana e Roger para colorir e dar corpo às bruxas, fadas, princesas e dragões que habitam os seis volumes da série.
-Cada um dos ilustradores tem um traço único e maravilhoso - elogia Helena. - No ano passado, por exemplo, já ganhamos o prêmio de melhor livro sem texto dado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil para “O gato Viriato” de Roger Mello.
Além de encontrar belas ilustrações a cada página virada as crianças têm a surpresa: ao terminar a história de uma autora,  a escritora seguinte prossegue do mesmo ponto onde a anterior parou.
- O objetivo do projeto é fazer mesmo essa miscelânea - confirma Helena. - Queríamos que a criança pudesse perceber várias linguagens e estilos juntos. Isso acontece não só em relação às ilustrações, mas também em relação aos textos que variam do mais clássico como o de Lia Neiva , até o mais brincalhão como o de Sylvia Orthof.

Brasil at the Bologna Children’s Book Fair 1996
Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil - FNLIJ
Ana Maria Machado, Angela Carneiro, Graziela Bozano Hetzel, Guto Lins, Leo Cunha, Lia Neiva, Marina Colasanti, Roger Mello, Sonia Junqueira, Sylvia Orthof .These are some of the authors of Ediouro

THE BEST FOR CHILDREN- Coleção Assim é que se lhe parece. Angela Carneiro, Lia Neiva e Sylvia Orthof. - série Doze olhos e uma história, 6. V
Taking common themes of traditional narratives as a starting point, the authors, already consacrated in juvenile literature, build up texts which privilege humor, the rupture with expectations, and parody. The plurality of points of view, as suggested by the title of the collection, as well as by that of the series, allows readers to have effective contact with the different narrative styles. That makes it possible to reach the goal of this collection, that is, there is no one, and true, story, but stories, there is no language, but languages.
Illustrations by Roger Mello, Mariana Massarani and Elizabeth Teixeira dialog in the same counterpoint as the verbal texts.

FADAS COM ESTILO -  VEJA Rio, 15-3-95
Quantas histórias existem dentro de uma história? Nos livros da coleção assim é se lhe parece, pelo menos três . Neles, Angela Carneiro, Lia Neiva e Sylvia Orhtof, três de nossas melhores escritoras, trabalham com o imaginário dos contos de fadas habitados por príncipes e princesas, bruxas, reis e rainhas, para cada uma dentro de seu estilo, mostrar que há mais de um desfecho possível. até mesmo para a velha fábula do príncipe-sapo. Ilustrados por Elisabeth Teixeira, Mariana Massarani e Roger Mello, vou aqui e volta já, nem assim nem assado, Cropas ou Praus, Se faisca Ofusca, Chamuscou não queimo, Quem acorda sonha, são livrinhos divertidos que ganham relançamento com pompa graças ao prêmio d o melhor livro de 1994 que Chamuscou conquistou da Associação Paulista de Críticos de Arte. Benita Prieto, Celso Sisto e Eliana Yunes, as três vozes do grupo Morandubetá, vão contar  fábula do dragão que só uma princesa poderia derrubar. A farra no salão  de vidro do Shopping da Gávea (1o piso) dura uns 45 minutos. E depois quem se interessar pode comprar um dos livros que estarão expostos lá mesmo e na livraria Malasartes que abriga uma tarde de autógrafos.
COLEÇÃO INFANTIL TEM PROJETO PREMIADO- Lucia Baroni. Diário de Votura
Lançada com o objetivo de oferecer uma alternativa de qualidade e conteúdo ao público infantil, a coleção ASSIM É SE LHE PARECE é um projeto inédito que leva assinatura conjunta de Angela Carneiro, Lia Neiva e Sylvia Orthof, escritoras premiadas e experientes na concepção e abordagem de temas destinados a garotada.
Como sempre, as obras de êxito comprovado junto à faixa etária a qual se destina, acabam seduzindo também os adultos. Isso deve-se , além da familiaridade com  criança que todos já foram um ida, ao excelente trabalho do trio autoral que supera os limites da tarefa de contar uma história - cada escritora, com seu próprio estilo, mostra os desdobramentos existentes dentro de uma história.
Composta por seis volumes, a coleção aborda a fantasia dos contos de fadas. Como o gênero fictício valoriza a liberdade e total falta de amarras, Angela Lia e Sylvia escrevera a seis mãos. Elas deram continuidade a partir do trecho que já haviam recebido de sua antecessora.
É a primeira vez, que segundo a editora carioca, este tipo de projeto é promovido no Brasil.
Imprescindíveis em termos de literatura infantil, as ilustrações exploram a experiência de profissionais de talento como Elizabeth Teixeira, Mariana Massarani e Roger Mello. Os recursos gráficos de primeira são o complemento ideal para o humor, o inesperado e a crítica - atributos presentes em todos os volumes.
Um deles, Chamuscou Não queimou, quinto da série, ganhou o prêmio de Melhor Livro Infantil de 94 pela APCA.
HISTÓRIAS ESCONDIDAS NAS HISTÓRIAS- Correio Brasilense
Seis volumes infanto-juvenil da Ediouro mostram as várias histórias que existem dentro de uma única história. Este é um dos objetivos da coleção Assim é que se lhe parece , que faz parte da série Doze olhos e uma história.
O projeto editorial inovador traz três das mais premiadas escritoras da Ediouro, Angela Carneiro, Lia Neiva e Sylvia Orthof - e que nessa coleção trabalham com o imaginário dos contos de fadas. Como em um divertido desafio uma começa uma história e outra escritora termina ou dá continuidade, a seu modo e habitadas por príncipes, princesas, fadas , reis e rainhas as histórias contam ainda com o toque muito especial das ilustrações de Elizabeth Teixeira, Mariana Massarani e Roger Mello.
Vou ali e volto já-  O Casamento de Romualdo, O Estranho e Docemel, são as três historinhas dentro desse primeiro volume. Nascimento de um netinho, bruxa como madrinha de casamento e outros tantos acontecimentos incomuns nos contos de fadas estão neste volume.
Nem assim nem assado- Brunilda e o Príncipe Encantado; O Desencanto e Uma História Apimentada. De príncipe e peixe encantado, tudo acontece nas três historinhas nas quais cada escritora enriquece o enredo com seu estilo.
Cropas ou Praus? O Cavaleiro Desmantelado, O Bosque Sombrio e Frescolia a dos olhos verdes. Na seqüência dessas histórias uma brincadeira com a pronúncia das palavras e muito bom humor.
Se faísca ofusca- A Vingança de Maligna, Um estouro, e Ora, Bolhas!mas três histórias bem divertidas especialmente pelo requinte de crueldades dos vilões.
Chamuscou não queimou- Eleito o melhor livro infantil do ano pela APCA, Neste volume O Dragão e a Princesa, Dragonando e Maga Orthofia a cantadeira. As três histórias inclusive com personagem referente a própria escritora Sylvia Orthof também misturam feitiços inimagináveis.
Quem acorda sonha. A Fada que soluçava; Era uma vez um soluço e o Gnomo sinote e o treco na glote, falam de um gnomo badalante e estranhos soluços que atacam as personagens.

Quem acorda sonha - Diário Votura/ Indaiatuba- SP 25-2-95
Quando uma fada através de soluços começa a transformar a natureza, está definitivamente rompido o compromisso com a realidade. Nesta última séria de histórias, Lia, Angela e Sylvia mergulham no mundo da magia, do encantamento e se despedem da coleção cercadas de gnomos, duendes, fadas,sílfides, náiades e ninfas.
SE FAÍSCA OFUSCA- Já imaginaram um reino onde cada habitante ocupa um espaço proporcional à sua importância? Aproveitando essa idéia fantástica, as três autoras contam as suas histórias e levam seus leitores a refletir sobre a inutilidade das vaidades, dos privilégios das disputas e das ambições
Brasil at the Bologna Children’s Book Fair 1996
Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil - FNLIJ

COLEÇÃO ELES SÃO SETE - In an original work, with a quality graphic project, seven authors get together in each of the seven books dedicated to the capital sins - gluttony, anger, sloth, pride, envy, covetousness and lust. Renowned Brazilian juvenile literature authors created stories for young readers’taste; with much humor, curiosities, discoveries and sins.
The tales are accompanied by photos and informations on the authors . The characteristic trait of the stories is the irreverence of the writers,dealing with such a delicate theme. There are illustrations which introduce the stories, registering in images, the adventure told in the text.

VESTIBILHAR DE MEDICINUCA (O DIÁRIO -2-3-95)
Osvaldo Lopes de Brito
A história recua no tempo para o ano de 1972. A Avenida Atlântica acaba de ser alargada; o cinema Paissandu exibe filmes de arte, diretores cult, os ídolos são  Chico Buarque, Caetano Veloso, Gal Costa, Gil Bethania, os Beatles, Jim Hendrix, Leila Diniz. As estantes estão espelhando um mundo diferente, novo; Drummond e Bandeira, força total da poesia. O  museu de Arte Moderna é o ponto de encontro. A cidade fervilha. A política passa a ser uma realidade próxima. O medo também.
Esse é o cenário em que a excelente escritora coloca os seus personagens centrais a turma jovem que se prepara, ansiosa, para os exames vestibulares, cada qual para a faculdade preferida. Os garotos,  meninos e meninas, estudam brincam, amam e o leitor se infiltra aos poucos num mundo que, vinte anos depois, permanece quase igual.
Interessante: nas últimas páginas, a romancista revela , de alguns, qual foi o seu destino , muitos anos mais tarde, já esquecidos aqueles vestibulares. Uma beleza! Não percam este romance.
QUAL O CAMINHO DO SOL? Vasques Filho- Tribuna do Ceará 9-89
A editora José Olympio nos faz chegar às mãos com amável dedicatória das autoras, a deliciosa história infantil Qual o Caminho do Sol? de Malu Alexim e Angela Carneiro, capa e ilustrações de Angela Carneiro. O texto conta  a história do garoto Gustavo Augusto Gusmão, o Guto, que , em um dia de tristeza, resolveu fazer um boneco de pano dando nascimento, com certidão de nascimento e tudo, ao Trampolim Topa-Tudo, ou simplesmente Trampa, com o qual se dispões , para atender a um pedido da lua apaixonada pelo sol distante, a procurar espaço afora a morada do astro-rei, para dar-lhe um recado da lua e seus séquitos de estrela.
Aí começam as peripécias dos dois amigos, contadas em prosa e verso, que as autoras sabiamente misturaram e tanto numa como noutra bem utilizaram a figura da aliteração, dando sabor especial à leitura da garotada e também dos adultos, como nós, que lemos o livro de uma assentada, presos que ficamos, desde o primeiro capítulo ao sonho do garoto e seu boneco muito bem engendrado pelas autoras. É o mais belo livro de literatura infantil, bem escrito, sem rebuscamentos para o bom entendimento dos pequenos leitores.
Depois de feito o boneco Trampa, lá estava o garoto a divertir-se com o seu amigo, pronto para dar saltos e cambalhotas, empreendendo viagens imaginárias vestidos com nuvens brancas abrindo caminho para as estrelas do saber e do coração. E logo aparecem as descobertas e as verdades coloridas de um sonho quase interminável e sobre este trabalho assim se manifestou o poeta Affonso de Romano Sant’anna: é uma história alegre, luminosa, teatral. Guto e Trampa realizam peripécias que perpassam terra, céu e mar. Angela e Malu constróem um texto ágil, fantasticamente didático, exibindo com maestria a união da prosa e da poesia.
Desta união, desta sintonia entre o poético e o real, muito bem explicitada é que o livro conquista o leitor da primeira à última página deixando-nos com  imaginação livre para açular nossa curiosidade, enquanto nosso sentimento entra de pronto no sonho de Guto e de Trampa, cuja amizade é sincera e comovente, bem ao feitio do que imaginamos, seguindo passo a passo essa dupla comunicativa e sonhadora, pois Guto se completa com Trama em todas as horas, seja na escola, no judô, na natação, na aula de inglês ou nas suas fantasias.
HISTÓRIA BEM CONTADA EM LINGUAGEM ÁGIL E ATUALIZADA
TATIANA BELINKY
Criança gosta de aprender, mas não gosta de ser acintosamente ensinada. E este livro Qual o Caminho do Sol, de Malu Alexim e Angela Carneiro, é fantasticamente didático como observa Affonso Romano na contracapa o que para mim, não constituiria vantagem em si: lugar de livro didático é na escola. Mas este livro, que é, digamos, paradidático é principalmente fantástico, com são , por exemplo, os paradidáticos de Monteiro Lobato do tipo O poço do Visconde ou a Aritmética da Emília, os quais em que pesem algumas opiniões em contrario são tão  apreciados pelas crianças como os outros, de fantasia pura.
E por falar em Emília, o Guto é quem conta a história de Qual o Caminho do Sol tem um amigo que é um boneco muito emiliano, feito de pano e que é engraçado, desengonçado e esperto como ele só:o Trama, companheiro inseparável de Guto, que o carrega por toda parte, sem prejuízo da sua - Guto- macheza de campeão de corrida de rua e fundado r do Canelada Futebol Clube.
A história, muito bem contada, em linguagem ágil , de um coloquial infantil alegre e atualizado, relata como o Guto deu uma estilingada na lua, a qual desceu para pedir-lhe satisfações na forma de uma mulher linda-deslumbrante, mas para fada do que para alguma Diana-caçadora. Dona lua, falando em verso e em prosa, encarrega o Guto de uma difícil missão, como condição para perdoá-lo por tê-la machucado. É que ela tem um caso de amor desencontrado com o Sol e para conseguir um encontro com o astro rei precisa do menino que poderá ajudá-la e fazer-lhe uma pergunta etc.
Isto é, a história tem uma estrutura semelhante a certos contos de fadas clássicos, onde há tarefas a serem cumpridas, charadas a serem decifradas, virtudes a serem provadas cada uma representada por uma advinha em versos. Uma história moderna a moda antiga, fantástica e poética, inteligente e bem-humorada. E contendo uma série de dicas e informações úteis e interessantes em pílulas douradas como quem não quer nada.
Muito dialogada e bem estruturada, a história pede para ser peça de teatro. Daí presta-se muito bem para leitura dramática e jogo dramático, na escola ou em qualquer outro espaço.
Até por que o livro é fisicamente atraente, bem diagramado,tipos de bom tamanho, bons espaços entre as linhas, margens, largas, coisas importantes para o leitor que não tem muita paciência com páginas compactas e lera miúdas. De que serve um livro sem figuras e sem diálogos, disse Alice no País das maravilhas, e este livro tem ambos.
SURPRESAS- O Liberal, PA
A escritora Angela Carneiro está lançando o livro Caixa Surpresa pela Ediouro. Trata-se de uma caixa de tampa de cristal que guarda dentro um tesouro feito de sonhos luzes  cores, além de sentimentos e sensações que podem ser muito frágeis e por isso têm de ser tratadas com muito cuidado. Angela é escritora premiada como O Autor Revelação da Câmara Brasileira de Livro. Fernando Nunes, que ilustra o livro é premiado diretor de dança contemporânea.

Caixa Surpresa-Diário do Nordeste
O livro de Angela Carneiro com ilustração de Fernando Nunes está um primor. É belíssimo! Uma poesia só! Faz você percorrer o mundo mágico da imaginação povoado com duendes, fadas e piratas. A qualidade de seu texto foi reconhecida pela Câmara Brasileira do Livro Prêmio Jabuti  que a escolheu como autor revelação e pela FNLIJ que premiou o seu Caixa Postal considerando o melhor para jovens. Nas primeiras páginas  a autora dá um conselho: quem deseja conhecer os segredos desta caixa que tem tampa de cristal pedimos que tome cuidado, abrindo-a com as pontas dos dedos.
Livros- Caixa Surpresa Hoje em Dia, BH
Há um segredo em tudo. Um segredo, dois ,três, quatro.. Em Caixa Surrares a escritora tira segredo das palavras e multiplica a fantasia a partir da luza, dos sonhos, das cores. A leitura desse livro é recomendada para pessoas com sentimentos delicados, é preciso ir com cuidado, revelando a imagem que há por trás de cada frase. Caixa Surpresa é um presente para meninas e meninos aventureiros.

PAIXÃO POR CORRESPONDÊNCIA
Laura Sandroni, O Globo- nov. 92
Cartas trocadas entre uma adolescente carioca e um universitário mineiro são a matéria prima com que Angela Carneiro constrói  Caixa Postal 1989, seu segundo livro juvenil lançado pela José Olímpio. Diários, cartas, memórias são formas muito usadas para esse público, porque possibilitam um texto dividido em capítulos curtos e concisos, nos quais não há lugar para grandes descrições ou digressões. A juventude tem pressa.
Entre muitos títulos publicados par essa faixa de idade, todos com estrutura, linguagem e temática semelhantes, este Caixa Postal 1989 se sobressai porque a autora consegue, inteligentemente, discutir uma série de assuntos de interesse do leitor, além de suturar momentos importantes de nossa História.
Laura, a protagonista, encontra, folheando uma revista antiga, mensagem de Léo em busca de uma amigo que também goste de poesia. Curiosa, escreve-lhe um bilhete em que declara adorar versos, ter muitos amigos, mas estar à procura de novos. Durante mais de dois anos a correspondência prossegue e uma sólida amizade vai se formando entre os dois, até que se conhecem pessoalmente e descobrem que estão enamorados.
Além do dia-a-dia de cada um, com suas diferenças de temperamento - Laura extrovertida, cheia de programas e amigos; Leo com dificuldades para entrar no mundo adulto - e a poesia a uni-los, os dois mostram um panorama bem real dos jovens de classe média brasileira. Relacionamento com os pais, drogas, sexualidade - todas essas questões são tratadas em relação principalmente aos amigos de Laura, pois ambos os protagonistas têm em comum o fato de serem caretas assumidos. Os pais de Laura são também personagens interessantes, abertos ao diálogo, e não renegam a própria juventude, vivida intensamente nos anos 60. Para Léo, mais introvertido, os problemas se situam na questão vocacional -ele quer ser escritor - e na afirmação de sua masculinidade.
Em linguagem coloquial, Angela Carneiro realiza uma obra bem estruturada e de indiscutível interesse.
Signos da Pós-adolescência- Correspondência entre dois jovens aborda sexo, drogas, política e amor. Marcus Veras, JB- Idéias
Existe uma faixa etária do mercado consumidor de livros inteiramente abandonada. Entre os 15 e 18 anos , ou o jovem tem à disposição clássicos importados - que na maior parte das vezes considera tediosos - ou fica por conta de uma subliteratura de bancas de jornal. Caixa Postal 1989 , de Angela Carneiro acerta no alvo com uma literatura inteligente e cheia dos signos que o pós-adolescentes sabem decifrar.
A correspondência entre dois jovens costura todo o livro, e a cada capítulo uma nova surpresa deixa o leitor curioso do que virá pela frente. Angela  não só escreveu sobre as dúvidas e alegrias da turma, como teve o trabalho de manuscrever muitas das cartas, dando um toque pessoal que a máquina de escrever (ou o computador ) às vezes esconde.
Laura, 16 anos, carioca, se corresponde com Leo, de 20, mineiro e, à medida que o enredo nos leva pelos sonhos dos dois jovens, cresce a expectativa: o que acontecerá quando finalmente se encontrarem? Nas páginas destas cartas surgem de forma suave e bem transada a virgindade, as drogas, a política, e o trabalho, o primeiro amor, os pais doidões e as mães caretonas e vice-versa, dias bons e ruins.
é cedo para falar de amor? Então, se não é amor, o que isso que faz meu coração disparar? detona Leo. Eternas perguntas, que remetem par tempos menos duros, porque a vida, por um defeito de fabricação qualquer, é sempre mais feliz no passado que no presente. O pior é que não há certificado de garantia.. Mas Angela não dá tempo de parar e pensar. Assim como a juventude, é tudo intenso e fugaz, e o mérito da autora é apreender este pique e torná-lo palavra. Na maioria das vezes só tenho perguntas erradas reclama Laura. Não faz mal. É desse jeito torto que acaba se chegando às respostas certas.
O AMOR CHEGA PELO CORREIO -Rony Farto Pereira - Proleitura, abril
Caixa Postal 1989 constrói-se com cartas escritas por Laura, 15 anos do Rio e Léo, 19 anos, de Belo Horizonte, a partir de um anúncio enviado pelo rapaz a uma revista feminina Delicada à procura de um amigo.
De um sentimento de curiosidade, com as confidências e as dúvidas próprias da idade, para um amor à distância, eis o eixo da narrativa, que mescla o romance epistolar com a presença de um narrador, ocupado em estabelecer (e até atrapalhar) as relações entre as cartas e introduzir novas situações na vida de Laura, como as relativas à sua amiga Marlúcia.
É flagrante a artificialidade de alguns episódios, especialmente do ambiente familiar de Laura; há tambó o exagero na construção das densas cartas, principalmente as de Leo, inadequadas para sua idade. No entanto, o estilo pouco explorado e o conteúdo do livro que se esforça por entrar no clima do mundo dos adolescentes certamente conseguirão atrair os leitores.
A busca do amor, as eleições de 89 para Presidente, o consumo de drogas, a greve de professores, a vida na escola, boa parte desses ingredientes ilustra sem um tom moralista, as preocupações dessas duas pessoas , que podem bem ser as inquietações da juventude de hoje.
Muitos desses aspectos lembram Ana e Pedro de Vivina de Assis e Ronald Claver, comentado no número 2 do Proleitura. Há coincidências interessantes, Léo e Pedro são tímidos e gostam de escrever, Laura e Ana é quem tomam a iniciativa da primeira carta, votam no Covas, etc.
Mas o gênero é diferente em Ana e Pedro porque não há narrador, estabelecer ligações entre as cartas é tarefa do leitor, que terá mais trabalho -embora o resultado do esforço acabe sendo mais gratificante.
Como Ana e Pedro, o livro de Angela Carneiro poderá ser utilizado com proveito por nossos alunos com o acompanhamento do professor, para que discussões e aprofundamentos possíveis conduzam a uma compreensão razoável e a um prazer efetivo do ato de ler.
CORRESPONDÊNCIA DESCONTRAÍDA ENTRE JOVENS- TRIBUNA DO NORTE-
Uma narrativa epistolar centrada na correspondência entre dois jovens (uma adolescente de 15 anos e um estudante de letras de BH) que se contatam através de um anúncio classificado. Este é o tema Caixa Postal 1989 de Angela Carneiro. Angela escolheu a técnica das cartas para diluir o ponto de vista e a voz do narrador (que representa o adulto e o sistema) e deixa fluir com espontaneidade os sentimentos, as idéias e reflexões dos jovens sobre si mesmos e o mundo. Assim o texto discute sem moralismos ou lições baratas de pedagogia, questões polêmicas como a liberação sexual, o uso de drogas, a política a  miséria, a melancolia e a descoberta das armadilhas do cotidiano. Tudo sempre a partir da perspectiva do adolescente. A linguagem coloquial permite uma aproximação segura com os jovens. A protagonista Laura dá o tom:suas relações com os amigos, a escola, a família e a sociedade, sem pieguice nem concessões fáceis.
PREMIADOS DE 92- Catálogo da FNLIJ
CAIXA POSTAL 1989-
Descobrir e ser descoberto. Entrar em todos os universos e fazer de cada conquista uma experiência única. É o viver do adolescente. E a tônica de Caixa Postal 1989 é justamente o encontrar-se e o encontrar o outro através do diálogo.
Procura-se um amigo. Era este o anúncio de uma revista feminina, dessas que prometem sonhos. Laura, uma moça-menina de 15 anos, responde e conhece Léo, estudante de Letras. Passam a trocar correspondência, onde falam de si e de tudo que os rodeia. Seus amigos, as eleições par presidente, a queda do muro de Berlim, greve de professores, queimar ou não fumo, e os problemas nos relacionamentos são temas das conversas distantes entre Laura e Léo,jovens que, embora queiram estar na vanguarda de tudo, no íntimo são tradicionais, românticos, sonhando como já sonharam seus pais e avós.
O público adulto que se aventurar por esta caixa postal vai se sentir remetido à sua adolescência, viajando no tempo e no espaço, evocando recordações e vivenciando as mesmas angústias e alegrias que os jovens personagens. Já o público juvenil encontra no livro o seu dia-a-dia, seus pequenos e grandes dilemas, encantos e decepções.
Retomando a técnica da narrativa epistolar , usada por Goethe em Werthe (1774) e inúmeros outros escritores, a autora administra bem um material que, embora apresente um curso previsível, agrada em cheio ao jovem.
Angela Carneiro põe as cartas na mesa. Faz capa e ilustra o livro, com desenhos que dão um toque de humor/amor , bem apreciado pelos adolescentes. Recebeu,por esta obra, o Altamente Recomendável para Jovem.
GOSTO DE ESCREVER- Guilherme Figueiredo
No Brasil, todos escrevem e ninguém lê. Empilho um mundão de livros na minha mesa.. Que vontade de bocejar como o poeta: A carne é triste, ai, e já li todos os livros..” Melhor: A carne é cara e os livros são de morte!
Não exageremos. De vez em quando tropeço, não numa pedra do caminho, mas num livro! Um livro de carne e osso, isto é, escrito de corpo e alma com suas montanhas de estilo, mas um livro; e, ainda mais, um livro infantil, numa terra em que quase só se escrevem livros pueris. Trata-se de Caixa Postal 1989 de Angela Carneiro que já fez boa promessa em Qual o Caminho do Sol? Não gosto de escrever sobre livros, porque cabe aqui ao colega Carlos Menezes orientar-me par as minhas leituras. Mas s e um livro me assusta, vejo-me partindo para a minha dactilo-editora, com quem travo meus artritismos e mal-entendidos. Até sair alguma coisa que preciso dizer: trata-se de uma estória epistolar entre dois adolescentes que não se conhecem. E devagarzinho, envelope por envelope, descobrem o amor. Como se Dáfnes e Cloé dispusessem de um correio incapaz da perversidade adulta das Ligações Perigosas. Sem perigo. Recados de cada dia, de encantadora modernidade e idioma tateaste, um tatear à procura da experiência da vida. O livro paira no clima de duração que se estende , após a leitura, numa frase que a menina Laura deixa escapar como uma confissão de adeus; Gosto de escrever.



ADOLESCENTES NA INTERNET - O Globo, Prosa e Verso
Eu te Procuro- O livro é uma continuação de Caixa Postal 1989 lançado em 92 e vencedor do Jabuti de Melhor livro para jovens. A autora volta a promover neste novo livro o encontro da  mesma turma do primeiro , que retoma as conversas sobre gravidez, paixões , bebidas e drogas. A diferença é que ,s e antes a troca de correspondência se fazia pelo tradicional correio, agora o papo acontece via Internet


Cartas eletrônicas- O Globo - Informática etc.  Marcelo Balbio
como muita gente, a escritora Angela Carneiro não passou impunemente pela transição da máquina de escrever para o computador. Também não deixou em branco a surpresa ao constatar que seu micro, ligado à Interne, não era uma máquina fechada, isolada do mundo. Ao contrário, era um meio de se ligar a um mundo chamado de virtual, porém habitado por seres bem reais. Ainda que de forma ficcional, a transformação (con) vivida por Angela está registrada em seu último livro Eu te procuro , um lançamento da José Olympio editora de outros cinco títulos da escritora.
O livro é uma continuação de Caixa Postal 1989 lançado em 92 e vencedor do prêmio Jabuti na categoria Melhor para jovens, em que Angela aborda temas como gravidez precoce, relacionamentos amorosos, abuso de bebidas e drogas, tudo sob a ótica dos adolescentes. A essência do livro é a incessante troca de correspondência entre os personagens. Daí a diferença entre um livro e outro: se no primeiro as cartinhas cruzavam os espaços através do bom (?) e velho correio, agora as correspondências navegam também pela Internet através do e-mail. Uma mudança considerável no comportamento, visto que o troca-troca no espaço cibernético é praticamente instantâneo e seguido de uma série de novos códigos e símbolos, como o uso de emoticons . A noite de autógrafos será no dia 17 no restaurante Terra Brasilis. Pro que num restaurante? Porque lá é o ponto de encontro de um grupo de usuários do BBS CentroIn. Tudo a ver.
                        TEM BOI NA LINHA DIGITAL DA NET
O Globo- Planeta Globo - Tom Leão
Quem navega na Internet procurando amizades e namoros nos chats da vida precisa ler o livro Eu te Procuro, (uma alusão ao programa ICQ) de Angela Carneiro. A autora dá seguimento a Caixa Postal 1989 (que tratava do tema via correio convencional) e mostra novos casos de romances e armações ilimitadas na grande rede. Quem é que nunca azarou on line?
Indicações de leitura: Proleitura
1-A GULA 
Primeiro de uma série de sete volumes tematizando cada um dos sete pecados capitais. Neste volume,sete contistas brasileiros contemporâneos refletem, ora com humor e ironia, ora com suavidade e candura sobre a gula
2-O PRIMO DO AMIGO DO MEU IRMÃO
Expoente da nova safra de autores juvenis, Angela Carneiro reafirma sua competência como escritora nessa narrativa em que cartas, telefonemas, registros em diários, pemas, se cruzam em diversas vozes adolescentes vivendo os problemas típicos da idade.Cabe ao leitor reorganizar continuamente as vozes dessa aparente cacofonia propondo sentido para a obra


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Meu novo livro e com receitas, inclusive a de ser feliz

Estou radiante: meu primeiro livro para adultos e em formato Kindle! O que quer dizer que pode ser lido em tablets e smartphones também.
O livro conta a história de uma senhora, a Marlene, que se vê UMA pela primeira vez. Viúva tem que reaprender a viver.  E o faz. Nesse movimento, muda de cidade, faz novos amigos e até um amor. Crianças, cães, pessoas de sexualidades variadas, vão aos poucos fazendo parte de sua nova vida. E ela a descobre.  E as pessoas se descobrem através dela. Marlene é mar em quem as pessoas navegam, é leme que dá a direção que cada um quer.
Sim, o livro tem  mensagem. A vida é para todos e pode ser espetacular mesmo se não houver espetáculo, viver basta. Mas isso, quando UM vira MUITOS.
Escrevi esse livro na procura de livros para ler. Já que estava com dificuldades de encontrar um livro para adultos ( Crepúsculos e Antes do Por do sol ,apesar dos mesmos belos nomes, não me interessam, são para jovens) que não fosse uma tragédia em atos. Que não fosse complicadíssimo. Que fosse pra cima, com uma história interessante e frases pra sublinhar.  Gostoso de pensar nas personagens, que estas ficassem fazendo parte da nossa vida.
Já que não encontrava livro assim, decidi escrevê-lo. Escrevia e lia pro marido. Um dia parei de escrever , deixei dormindo no computador. E o marido disse: Estou com saudades da Marlene, como ela vai?
Assim o escrevi.
O tempo passou e comprei um Kindle. Me apaixonei pelo trequinho. Eu detesto telefone celular e acho queo tablet seria o máximo se não fosse quente e a bateria durasse. (que coisa fantástica é um tablet! Parece que estou vivendo um conto de James Bond misturado com Fadas! Tv, filmadora, gravador louco, tela de pintura, biblioteca, tudo junto!) Ah! mas o kindle, leve, frio, gostoso de estar na mão e tão bonzinho pras senhores e senhoras ceguetas , permitindo letras garrafais, e tão bonzinho com seus zilhões de livros gratuitos para quem lê em inglês, e .. a coleção inteira de Balsac por 3 dólares! E dá pra sublinhar as frases, e ver quem sublinhou também, e dá pra fazer anotação no livro, e dá pra saber o significado da palavra em qualquer língua!!  Gamei.
E a Editora Descaminhos apareceu me encaminhando!
Estou mais feliz que pinto no lixo!  Espero que vocês gostem da Marlene.E de suas comidinhas.

E, em breve, o José que dorme no meu computador surgirá.. Acho que estou crescendo. 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Resenhas de filmes, de filmes baseados em livros e livros baseados em filmes

CAPTURING MARYAh! como é bom se deparar na TV com uma obra de arte inesperada! Ligar a TV e estar começando um grande filme!Assisti segurando a alma!
Maggie Smith não é só a bruxa mor de Harry Potter, é um genio em forma feminina. Ah!! essas mulheres inglesas! 

A mansão inglesa lá está, vazia. Quem toma conta é um rapaz indiano. Aquela senhora bate à porta e, sabe-se lá porquê, o rapaz que tinha ordens de não permitir ninguém entrar, permite. E ela entra e vê a casa. E revê seu passado naquela casa, um passado pós guerra que passa pelos Beatles até hoje. Ela, que tinha sido uma jornalista promissora, teve, naquela casa , o encontro com um homem, um encontro que modificou sua vida, a ponto de tornar-se alcoolatra e com empregos menores, apesar de razoáveis. Esse homem travou uma conversa com ela na adega, uma conversa onde revelou as maiores pervesidades humanas dando nome aos bois. E , ao contar tais maldades verdadeiras a ela, passou a ser dono dela. 
Ah! que filme! Sonia Santana, fique de olho se tiver algo da HBO, pois vai se encantar! Como é bom saber que o ser humano é capaz de obras tão grandiosas e feitas pra TV!

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O Exótico Hotel Marigot

É drama, é comédia, é comedia romantica e é obrigatório!! Só artistas de primeira grandeza!!! IMPERDÍVEL! a gente assiste com um sorriso constante de gratidão por terem feito um filme tão maravilhoso. Sim, praticamente só velhos, velhos , cada um com sua tristeza, sua dureza, seu drama, e se encontram em um hotel para velhos na India. Lição de vida, certamente, nada de misticismo! claro que nos pouparam da tragédia que a índia é e do falso glamour. SOW de interpretação! e respeito ao expectador! um presente de verdade.
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MY OWN LOVE SONG
O que dizer sobre essa maravilha?
Que deveria haver um Oscar especial para a atuação dos dois protagonistas todo ano? que devia haver um Oscar anual para o diretor de fotografia?
Que, de brinde, a filha caçula do seriado The Nanny mais uma vez demonstra que as mulheres jovens estão sendo as grandes atrizes do nosso tempo?
Que é uma história de amor, compaixão, aceitação do outro?
A sinopse? "uma ex roqueira, agora cadeirante, tem um amigo meio pirado que fala com anjos. Juntos vão para N.Orleans com dois objetivos: assistir a uma palestra de um autor pilantra sobre anjos e aceitar o convite do filho da cantora que foi dado para adoção após o acidente que a deixou paraplégica" ok, não é convidativo.. mas oh! as músicas são de Chopin e Bob Dylan!! as imagens.. ah.. as imagens! o amor que permeia cada cena.. é um desses de ser obrigatório em currículo . É uma daquelas obras que nos fazem acreditar na possibilidade de uma humanidade fraterna e bela!
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Odette Toulemond
Meu caso com esse autor começou há 15 anos. Uma amiga tinha entradas pois ela havia cedido molduras para o cenário da peça. Era uma sexta feira, em plena época de obras na zona sul do Rio, coisas do Conde ou do César, já não me lembro.Era impossível andar um quarteirão de carro em menos de 15 minutos. O teatro era em Ipanema e lá fomos nós assistir a peça Freud e o Visitante.
Estatelei! 
Eu tinha de ler aquilo! Era uma maravilha! Minha amiga conseguiu o contato com a produtora, e lá fui eu até a Barra pegar a cópia do texto de Eric-Emmanuel Schimmit. 
Na epoca eu frequentava o BBS e só falava nisso, quer dizer escrevia. Freud recebia uma visita que parecia ser o próprio Deus.. 
Tempos passaram e ouvi o saudosérrimo Paulo Autran falando que estava encenando uma peça do mesmo autor. Fiquei ouriçadíssima, mas já morava em Cabo Frio. Então comprei na Amazon um livro com 4 peças de Eric Emmanuel , descobri que o cara era francês. Das quatro, uma era Freud e outra a encenada por Paulo Autran, ge-ni-al! 
Bem, aí vejo o filme encenado por Omar Shariff, Ibrahim. Adorei. Então, graças a internet, consegui assistir a Odette Toulemon. Que delícia de filme! Um filme feminino e a minha cara. Odette, como eu, desarvora a ler e escreve ao seu ator predileto. Sou assim. Entro em contato com os artistas. Tenho a impressão de que cada livro é uma carta e é até falta de educação não responder. Adoro receber cartas de leitores, então, faço o mesmo, seja livro ou filme ou música. Tem dado certo. 
Odette, como eu, enfeita a vida com cacarecos, papéis de carta estampados, bonecas com trajes típicos e outros brilhos mais. Também tenta ter o tal joi de vivre ou aquela outra palavra que esqueci. .. como é? Aprendi esse ano e já esqueci. s......... , bem, aí dança no meio da cozinha, bem papagaiada. Sou assim. Então gostei do espelho. 
A partir daí comprei todos os livros do autor . Adoro quase todos
Então, se não conhecem, vale a pena!

A ElEGÂNCIA DO OURIÇO
Este é meu último livro favorito. E vou contar o final no final, pois é exatamente o final que justifica o fato de eu nao ter dado 5 estrelas. Lembrou o personagem da Escolinha do Professor Raimundo que na hora de tirar um dez..
Também não gosto desse nome "Spoiler" que se usa pra avisar que se conta o fim de um filme ou livro, ou o mistério. Mas respeito o direito de escolha de quem porventura ler isso aqui. 

Eu já tinha lido o primeiro livro da autora, engenhoso, legal.. Mas não calou fundo na alma. No entanto este.. Comecei a ler e tive aquele dejavu.. pode ser em francês pois o livro se passa em Paris. Eu vi o filme do livro! e também o filme não me deu aquele jenesequá. (estou cheia de francesismos! galicismos, tá bom.) 

Imaginem o cenario: um prédio de gente rica em Paris. Tudo "bianê"(:-) ) O livro é escrito por duas personagens: a porteira intelectual de esquerda e a menina de 12 anos geninho que estuda japonês. A Porteira só tem uma amiga, a portuguesa faxineira Manuela. A menina, nenhum, e vê que a vida não tem sentido então programa se matar e incendiar o prédio.
As reflexões de ambas são permeadas de referências filosóficas, vale muuuito a pena ler! como o crítico de gastronomia ( do primeiro livro da autora) morre, um japonês riquíssimo compra o apartamento ficando amigo das duas.
( o tal do spoiler)
E aí, idiotamente a porteira morre no final.
Não faz sentido! fiquei com raiva. Lembrou-me os desenhos animados que meu filho fazia quando criança que explodia tudo no fim. Matar a personagem, ao meu ver, me parece fraqueza do texto, como filme nacional, quando dá a impressão que a verba acaba junto com o filme. Ora, não se sabe resolver, então mata-se a protagonista. FIM.

Iniciar um livro pode ser complicado, mas terminá-lo é mais ainda. Um bom livro deve ter uma conclusão, mas.. raro é autor que sabe fazê-lo. Eu mesma verifico que uso algumas artimanhas.. infelizmente. Gostaria de fazer melhor, mas matar a protagonista, nunca! O livro não precisa ser como a vida. Um livro é exatamente o oposto de uma existência, é a parte que vale a pena dela.
Mesmo assim, esse passou a ser um de meus favoritos.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Para Tamiires


Uma jovem me procurou  no Orkut pois iria fazer um trabalho sobre meu livro Vestibilhar de Medicinuca. Fiquei feliz e orgulhosa pois a professora deixou a escolha livre,  e, entre tantos títulos, ela escolheu exatamente um livro meu.

Este livro se passa no ano de 1972, ano do meu vestibular. Para escrevê-lo, passei seis meses na biblioteca nacional pesquisando. Li todos os Jornais do Brasil do ano de 72. Todos. Lia e anotava.

Rola uma tendência de nós ao envelhecermos entrarmos na síndrome do “no meu tempo” como se tivéssemos vivido um tempo melhor.  E não é nada disso. Claro que o sorvete Kibon da minha infância era muito melhor do que se tornou nos anos 90. No entanto, hoje, está muito melhor,pelo menos o de chocolate. Logo agora que não posso mais comer chocolate! Mas, mesmo sendo um sorvete gostoso, vamos combinar que não primava pela higiene. Até grampo eu  vi dentro do sorvete Kibon na ida década de 60. Mas perdemos a jujuba, o delicado, o Ki-bamba e o Ki-coisa. Seus similares são esponjosos e perfumados,ruins mesmo. O bombom alpino, então, nem se fala. Costumava ser a melhor coisa do mundo quando falhava na higiene, já que a embalagem deixava o chocolate exposto. Hoje tem gosto de fumaça. Isso só é compensado pela maravilhado “dark and soft” e uma variedade daquelas que...

Pera lá! não era esse o tema! sempre viajo. Voltemos ao Vestibilhar de Medicinuca. Tamiires, a jovem que quer saber, me pergunta qual a minha motivação ao escrever o livro. Devolvi a pergunta: o que você acha?
Dois foram os meus nortes. Um deles foi escrever um livro com um subtítulo virtual; Vestibilhar de Medicinuca ou Nós que não fomos presos. Pois tudo o que trata dessa época tem como protagonistas pessoas envolvidas em política, deixando a impressão de que todo mundo era engajado e não era assim, muito pelo contrário. Afinal, sei fosse assim, não tinha durado tanto. E o engraçado é que o filme 1972 também marcou esse ano como algo especial, gostei da coincidência.
O segundo norte foi mostrar as diferenças. Principalmente no que tange o ingresso  à faculdade. Quem lê o livro deve notar que em nenhum momento se fala a expressão “ ingressar no mercado de trabalho”, frase hoje sine-qua-non até pra se fazer pulseira de miçanga. A gente ia para a universidade com dois propósitos: namorar, que ninguém é de ferro e se realizar como pessoa mudando o mundo. A gente queria mudar o mundo, não era como hoje que ninguém mais quer mudar nada, só se quer upgrade. Ainda se discutia se a mulher devia ou não trabalhar fora. Ainda se discutia se a moça devia ou não casar virgem. Ainda não se falava palavrão na frente de mulheres, nós estávamos começando a aprender a falar merda em voz alta. Éramos pioneiros. 5 anos depois tudo tinha mudado! até o uso de droga era diferente. Poucos  iriam atrás de uma droga estimulante como cocaína, droga típica da pressa, do ganhar dinheiro, do estresse, a droga predileta dos setores de entretenimento , política e bolsa de valor. Ninguém sequer pensaria em usar extasi, a não ser por experiência sexual. As drogas eram lisérgicas, visuais e calmantes. Tinham o objetivo do prazer, do conhecimento. Não era para ganhar dinheiro . Claro que para se passar no vestibular e virar a noite se usava droga, drogas legais , no sentido de legalizadas. Mas não a minha turma, a turma das ciências humanas. Afinal, nos anos 70, o cara mais atraente fazia história e não engenharia.  Eram valores diferentes.

  Então, Tamiires, esta foi a minha intenção, e eu espero ter passado isso. Espero ter despertado a curiosidade ao lembrar que houve um tempo sem computador, sem telefone celular, sem joguinhos eletrônicos. Um tempo quando ser culto era moda. Quando não se estava interessado em ganhar dinheiro ou ser celebridade. Onde Big Brother não vingaria já que não se estava interessado em ser celebridade. Um apartamento legal não tinha sofá ou televisão das Casas Bahia. Televisão era coisa de careta. Almofadas, estantes repletas de samambaias e livros feitas de caixas d´água ou caixotes de maçã ou tábuas e tijolos. A palavra customizar não existia mas nossas roupas o eram.

 No mais, pergunte!
(José Olympio Editora. Texto e ilustrações meus)

sábado, 6 de outubro de 2012

Filmes bons

Esse mundo tecnológico é uma maravilha. Antigamente, quem quisesse ver um filme tinha de ir até o  cinema.  Então, cinema era coisa de cidade e de cidade grande. Aí veio a TV. Lembro quando ela chegou na minha casa, eu tinha 3 anos. Precisava esquentar primeiro e os filmes em preto e branco eram legendados . Não dava para ler sempre, às vezes coincidia  a letra branca no fundo branco.  Os melhores aniversários infantis tinham "cineminha" Ah! como eu adorava!  Aí TV em cores e o video cassette! A essa altura eu já tinha filhos. Comprei vários títulos para rever, rever, gravei montes da TV e.. sim, DVD!

Hoje, morando no meio do nada, posso assistir filmes pelo computador e pela tv de assinatura. E foi isso que fiz. Liguei a tv pela manhã enquanto pedalava na ergométrica e assisti ao filme Rockstar. Um jovem roqueiro substitui o vocalista de uma banda, passa por drogas/sexo/rockandroll , claro, e ao final do filme decide que essa vida não era para ele, prefere fazer seu próprio som , simples e sem pressão.

Pela tv , hoje, assisti ao filme Se enlouquecer não se apaixone. Eu tinha visto a chamada , mas não me impressionei. Evidentemente um filme pra jovens, e eu, apesar de escrever para jovens não curto filmes para jovens. Gosto de filmes que jovens também gostam, é diferente. Mas não assisti ou li Crepúsculo e vampiros, pra mim, só mesmo A dança dos Vampiros. Vampiros não  me interessam. E filmes em manicomios..ora, depois de Um estranho no ninho e A garota Interrompida, chega, né?
Mas assisti e como assisti! com todo interesse e, ao final, lágrima nos olhos.  Um jovem se sente deprimido, um jovem que teoricamente tem tudo pra ser feliz, e se interna e fica uma semana no manicômio. E se sente mais forte após disso.

Pelo site do Netflix assisti ao filme Paris. Um rapaz está com um problema cardíaco muito sério e sua irmã se muda para seu apartamento com os 3 filhos para cuidar dele. E assim passeamos por Paris, por todos os lados de Paris, por dentro e por fora.

Sim, recomendo, mas me fizeram pensar. Os filmes americanos estão cada vez mais críticos às pressões do sistema, mas as soluções são sempre individuais. Se largam os modelos de "winner" de sucesso, nunca tentam uma solução coletiva. A impressão que  me dá é que o filme é só catarse, nunca crítica. Pois o problema para o roteirista está sempre no protagonista que não sabe viver a vida bem.

Já o filme Paris , apesar de também mostrar que a gente tem muito o que apreciar quando se está vivo, não oferece visões mais otimistas do mundo, apenas usar os sentidos.

São ótimos filmes e os recomendo, mas, que tal nos darmos as mãos para mudar as coisas e culpar os verdadeiros culpados?

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O mundo a ser revisitado que Monteiro Lobato criou


Somos tão traumatizados pela censura dos anos passados, quando a ignorância e o autoritarismo mandava prender Moliere, que a qualquer semelhança com  restrição já saímos bradando pela tal  “liberdade de expressão”. Com isso, acabamos aceitando outros arbitrarismos  e terríveis perseguições. Uma pena. Mas é assim que se vive, ou, que, pelo menos, ao que parece, concordamos em viver no momento.

Recentemente, por maquiavelismo, ignorância, pressa ou incompetência, uma manchete  induziu as pessoas a pensarem que o livro “Caçadas de Pedrinho” de Monteiro Lobato, pai de todos nós escritores para crianças, estaria sendo censurado. Não estranhei pois já falo sobre isso há mais de 20 anos em palestras e conferências.  Também não  entrarei no mérito da verdade pois já foi muito bem  contada aqui(http://www.brasilianasorg.com.br/blog/luisnassif/a-falsa-polemica-do-cne-e-monteiro-lobato). Ih! Abaixo-assinados, gritos e brigas  entraram em cena na internet (não sei se no asfalto também, ando longe da vida urbana) Imagino que essas pessoas, também por pressa (afinal, quem lê tanta notícia? Já dizia Caetano) ignorância, princípio de defesa de toda e qualquer liberdade,  ou sentimento de classe, cada uma por um motivo  embarcaram na dúbia manchete.

Mas, o que realmente me apavorou foi o fato , se  verdadeiro, do Ministro da Educação afirmar que” não vê racismo no livro” . Dá medo. O livro caçadas de Pedrinho termina com a seguinte frase: “ Tenha paciência- dizia a boa criatura. Agora chegou minha vez. Negro também é gente, Sinhá..” Acho que ela não se referia apenas ao privilégio de andar em cima do lombo do pacato gramático rinoceronte Quindim.  Seria subestimar  Lobato  considerando-o  ingênuo ou alienado, não concordam?

Sim, a “boa criatura” é a Tia Nastácia. Ao longo do livro o narrador usa as seguintes expressões ao falar sobre ela: negra, a boa negra, a preta, a pobre negra. Pobre negra é a sua predileta.  A personagem Emília,  neste livro, diz que" as onças vão comer até Tia Nastácia que tem carne preta."  E  ela não é corrigida, coisa que ocorre quase  sempre que abre sua torneirinha de asneira. Mas isso é fala de boneca de pano. Já o próprio narrador descreve a situação da chegada das onças assim:.” Tia Natácia, esquecida de seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão, pelo mastro de São Pedro......”

Reumatismos sim, afinal, Tia Nastácia tem 70 anos e ainda é a empregada do sítio. Alguém estranharia o fato da professora esclarecer aos alunos que foi  na década de 70 que  empregados domésticos começaram a ter direitos trabalhistas?
Ora,  ao longo dos livros infantis  do autor a perícia culinária da Tia Nastácia é cantada em prosa e verso! Seus bolinhos alimentaram São Jorge na lua, seu cafezinho, segundo ela mesma, “tem visgo”, quem prova não quer mais sair do sítio, e outras tantas guloseimas. No entanto, o livro de culinária mais famoso há décadas ( do qual sou a mais feliz  recente ganhadora) se chama “  Dona Benta”, logo da “velha” que, ao que se saiba, nunca entrou na cozinha para amornar uma água. Vá entender.
Sinto a necessidade de esclarecer esses pontos pois tenho certeza de que Monteiro Lobato  seja muito mais incensado do que lido. Dezenas de pessoas  entre seus 30 e 40 anos que enaltecem o autor, duvide-o-dó que tenham lido a obra.  Talvez um único livro, certamente viram a adaptação televisiva. Mas ler tudinho como fiz e tantos da minha geração? Raro. Tanto é que, ao serem perguntados sobre quais outros livros que adoravam na infância ficam ah.. é... ah.. é... Quem leu Monteiro Lobato  e gostou certamente leu e vibrou com outros livros, pois, se assim não fosse, sua missão teria sido um fracasso.
Ah! E não  apenas expressões racistas a respeito de negros, caro Ministro, Emília é tratada pelo autor como uma pessoa prática pois  “ciganinha como era costumava tirar partido de tudo”, isto é, ganhar vantagens, presentes, dinheiro. O grifo  é meu.

Jovem,quando eu era pequena, não estranhava o tratamento dado à Tia Nastácia, sabe porquê? Na minha casa a cozinheira também era uma senhora negra que vivia na cozinha e pitava cachimbo e falava errado e eu, como Narizinho, ajudava a catar feijão.(No livro, tia Nastácia fala felomeno , em vez de fenômeno, e outras  diferenças)  Caso quisesse ver TV junto com a família, ficava à porta da sala sentada em um banquinho sem encosto. Na minha casa e na maioria das casas. Tirava folga dois domingos ao mês, recebia a metade do salário mínimo e não tinha férias.  Jovem, a canção de carnaval era “ o seu cabelo não nega mulata porque és mulata na cor, mas como a cor não pega , mulata, mulata quero o seu amor” e o samba” ai meu deus que bom seria que voltasse a escravidão eu pegava a essa mulata e prendia no meu coração  e depois a pretoria que resolvia a questão” .É isso  o que queremos na nossa sociedade?É este o mundo em que vivemos hoje? Faz sentido? Mesmo sendo divertidos, românticos sambas? É isso o que nós queremos tocando nas rádios, sendo cantados nas nossas escolas?  Você sabia que um diretor de um colégio em 1971 proibiu de uma negra ir de cabelo solto ao colégio porque atrapalhava a visão dos alunos? Agora já sabe, jovem. Se chegou até aqui não tem mais desculpa.

Então, ninguém acharia nada demais que o Conselho de Educação recomendasse a contextualização histórica   de Geografia de Dona Benta explicando que o estado de Mato Grosso não é mais aquele ou que a população do mundo mudou e até aproveitasse para  mostrar os movimentos sócio-políticos do mundo. No entanto, gritam se falam em recomendar a contextualização histórica no que tange o racismo. Assustador. Ao que parece, a conselheira , apesar de ter comido mosca na primeira distribuição,  está ciente do que pode acontecer em uma sala de aula se um aluno começar a ofender o outro de “negra beiçuda”, como Emília constantemente o faz ao longo dos livros, ou “macaca de carvão”. É crime e a professora vai ter de assumir as conseqüências.

A prova de que  a conselheira está certa  é ver como tantos leram a notícia por alto ou sem refletir , ou mesmo concordam com a discriminação. É dinheiro do contribuinte gasto em compras de livros.  E livro é para ser lido e não pra ficar enfeitando estante . Em geral,quano se fala em adoção de livros,  a leitura daquele livro  é obrigatória e cobrada em provas e testes.. Quem é que está verdadeiramente bem preparado para separar uma briga entre dois alunos porque um chamou o outro de " macaco de carvão"? (vá explicar que foi elogioso, pois mostra como é ágil)  Bem, o assunto não terminou,nem suas derivações, mas o tempo para ler , imagino, já. Então, como diz o Rei Roberto:
" quantas vezes eu tentei falar que no mundo não há mais lugar para quem toma decisões na vida sem pensar” 
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domingo, 9 de setembro de 2012

Livro bom

"Cannery Row é um poema, um mau cheiro, um rangido, um tipo de luz, uma cor, um hábito, uma nostalgia, um sonho."

Pronto! já me ajeitei na poltrona feliz. Um livro que começa com essa frase já me promete um tempo de felicidade. 
Sabe quando a gente encontra uma nota de dinheiro em um bolso de casaco e fica muito feliz? Esse livro foi assim. Estava na estante juntamente com uns 5 do mesmo autor. Dele, tinha lidoAs Vinhas da Ira e o Diario de viagem. Não me entusiasmei. Ah! mas já vou começar Doce quinta feira!

Sou uma dependente de livros. Quando criança ou jovem lia de tudo. De M.Deli a Dostoievsky sem critério. Agora ando exigentíssima. 

Em primeiro lugar quanto à temática. Se o livro é violento, mau e escatológico , out! Não quero saber. Aos 18 anos eu tinha tudo a aprender. Hoje, aos 57, também tenho mas essa parte eu já aprendi. 
Em segundo, o estilo.
Não sei qual o pior, se o estilo best-seller, sim, pois se o livro vende muito pode estar certo que é ruim. É bom pra indústria, pra editora e pro autor mas não é bom pra formação de leitores nem pro mundo. Simplesmente porque é impossível atingir tanto auma jovem carioca,quanto a um seringueiro no Amazonas quanto a um monge do Tibet. É impossível. Como é impossível um best-seller, em geral, atinge toda a classe média , a burguesia do mundo. Logo, é ruim. Como dizia Nelson Rodrigues, a unanimidade é burra. Um desses best sellers que tentei ler pois segundo uma pessoa a autora era maravilhosa começava assim: a marcha indolente do velho chevrolet.. AAAA! Morte a todas marchas indolentes!!! Sucata aos velhso chevrolets!!! 
Pode ser que um best seller seja um bom entretenimento, mas só isso. Assim, entre eles, recomendo o best seller Irwing Wallace, por exemplo. Ele pega um tema controverso e envolve numa trama no melhor estilo americano. E você se distraiu durante uns meses. 
Esse tipo de best-seller é melhor do que o pretenso literário. Pois ele não te engana. Você compra o que ele promete, aventura e romance! 

Ah.. mas há certas coisas que não são imitáveis. E o gênio é uma dessas coisas. Ele é pra você usufruir mas não para você se inspirar nele. Na nossa música temos, por exemplo, Jorge Benjor. Um gênio. Só ele pode fazer o que ele faz. Só Jorge Benjor pode falar em uma canção
"Essa gravata é o relatório
De harmonia de coisas belas
É um jardim suspenso
Dependurado no pescoço
De um homem simpático e feliz
Feliz, feliz porque... com aquela gravata"

Qualquer outro que o imite ou seja inspirado por ele é pseudo. Guimarães Rosa na literatura é assim: o gênio. Aí um mundo de gente vê isso e quer ser igual!! Ó céus! e engana outro mundo de gente e aí, meu amigo, não tem mais jeito. 

Há um autor estrangeiro incensado, lá fui eu lê-lo. Tava na cara que ele tinha lido o nosso Guimarães e queria ser igual. Aí ficava enganando os trouxas e deve ser infeliz, pois certamente sabe que não chega aos pés do mestre e nunca chegará. Temos muitos assim na nossa literatura. Fazem mal à humanidade. Principalmente nos dias atuais quando editoração é um business. Não se trata mais de literatura e sim de negócios. Os próprios editores ficam confusos quanto à literatura.

Assim, quando eu peguei esse livro foi uma bênção! 
É meu gênero de livro, quando não há um único personagem cuja saga somos convidados a seguir e sim tudo é personagem. Da casa, ao cachorro, do homem à mulher à criança à doença e à alegria. 
Uma rua. Seus habitantes. 
O editor o critica, diz que o Steinbeck idealiza e ele está errado. 
Daria um grande filme! mas, pelo que li, o filme que foi feito foi horrível e faria o autor se revirar no túmulo. 

O autor desnuda a América, claro. Ele não se engana. E nos oferece o verdadeiro americano do dia a dia de maneira magistral.
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Recentemente assisti a Rubens Figueredo em uma entrevista com a filha do Rubem Fonseca, Beatriz Fonseca. Ah! comprei todos os livros dele depois disso. Aguardo chegarem. 
Ele pensa como eu! Disse literalmente: livros que vendem muito não podem ser críticos, pois pertencem ao sistema. Não são bons para desenvolver o hábito da leitura, para a leitura.