segunda-feira, 18 de maio de 2020

quinta-feira, 16 de abril de 2020

A construção

https://www.youtube.com/watch?v=LV43-sbBVRU&t=126s

    
                                       A construção
                                                                           Angela Carneiro

   Rosa tampou os ouvidos com as mãos e o travesseiro.  Então, pegou as letras do medo  e com elas ergueu as paredes.
        O medo subiu em degraus que fez em caracóis até a água-furtada.
        Bateu a porta com força.  Lá,  um espaço para sua solidão cheio de abraços.
        Na água-furtada, sempre chovia, e os pequenos passos  da chuva ritmavam os outros passos que ouvia.  A mãe na cozinha, panelas em festa cheirosa. Ouvia o abrir da porta da despensa. Potes de barro com doces, cheiros misturados, todos os mantimentos do mundo! Havia até máquina de  refrigerantes!
        Ah, a casa era grande! Lá, tudo podia, tudo havia.
        No sótão, tão só, seus brinquedos e lápis de cor e livros de figuras, e cadeirinha de balanço do seu tamanho. Uma escrivaninha de tampa, com papéis, lápis  e borrachas cheirosas, pilhas de revistinhas! Um vidro grande cheio de bolas de gude! E um bebedouro de água gelada!
        Pegou a sede, deitou na rede e abriu uma varanda e cantou a música da avó louca que antes de ficar louca cantava para ela dormir.
Fiz a cama na
varanda me
esqueci do cobertor
deu um vento na
roseira
ai meus cuidados me cobriu toda de flor!
E tanto repetiu como sempre fazia. Repetia e pensava na cama feita na varanda, nas pétalas macias e cheias de  perfume da flor do seu  nome. Cantava baixinho pra ninguém em fúria ouvir e ela não ouvir a fúria de ninguém.  E havia um piano para acompanhar.
            Pegou  a música e compôs um quarto de brinquedos.
            Um trem de ferro sempre em movimento a  levava para todo o mundo!  Um teatro de fantoches e marionetes, e uma bicicleta azul. O colo do urso de pelúcia enorme, destamanho!
            Pegou no sono e lá dormiu, quente. Pois agora nevava, era Natal no mundo dos cartões de Natal  e ela ouvia guizos. Os guizos ficaram mais altos, cada vez mais nítidos, um chegando a tocar na sua cabeça, frio, metálico, e mais a cabeça cobriu com o travesseiro, e sentiu que a dor doía, que a construção podia ruir, mas não deixou, e seu coração se encheu de força.
            Pegou a emoção e fez o quarto da televisão. Enorme! A televisão, não o quarto. Com ar-condicionado e escuridão de cinema. E tudo se abria ou fechava bastando um simples apertar de botão. Era o quarto das tomadas, da pipoqueira elétrica, do computador, de todos os discos. Parecia até uma nave espacial!
            Pegou o  espanto e com ele fez os cantos.
            Pois a casa dela  tinha cantos. Muitos cantos! O  preferido  debaixo da escada e brincava de esconde-esconde. Lá , ninguém a achava, nunca! Por mais que procurassem, por mais que quisessem, lá era do tamanho de seu corpo dobrado, protegida.
            Pegou a traquinagem e destrancou o escritório das conversas sérias. Conversas, apenas, talvez até brigas que brigar é normal. Mas sem as panelas batendo, sem os gritos, sem os gritos, sem os gritos... 
            Um lugar  proibido; um antepassado emoldurado na parede de papel de enfeites dourados. Cortinas cerradas de veludo vermelho-vinho. Uma lareira apagada. Mas  lá entrava e espiava. Garrafas de cristal, livros de couro, tudo de couro! Uma cabeça de bicho, uma estátua de bronze. Tudo quieto, quieto, parado no tempo dos brocados e das poeiras.
            Pegou o silêncio e o levou para seu quarto. Um quarto só para ela!
Não tinha Tereza, não tinha Vanderlei, não tinha Juliano nem Lucia Maria. O quarto era dela, só dela!     As gavetas nunca fecham, os sonhos escapolem por suas frestas. Nada de chaves ou trancas, mas sim um cofre com segredo numérico: tec-tec-tec direita, tac-tac-tac esquerda, tec-tec-tec direita. E pronto! Ele se abre com os segredos que não vai contar nunca pois segredos não se contam. A cama era só dela, grande, macia, onde se pulava alto. E os travesseiros enchiam de cheiro de limpo e de nuvem o conforto. Podia, do quarto, ver o sol em tiras, ver as sombras do mundo. A janela tinha cortinas que voavam se ventasse, e mudavam de cor com a luz.
            Pegou a alegria dos segredos e plantou um jardim para as borboletas. Um jardim com piscina e trampolim!
 E podia estar sempre lá. Antes, descia ao porão, tanto pó! Lá estava o baú da avó. E coisas antigas contavam histórias de outros tempos. E este segredo ela conta, pois é bom demais pra guardar: no porão há uma passagem secreta... Verdade! Só ela sabe onde fica, é preciso estar atento, olhar com cuidado, pisar no local certo para abrir a parede  giratória que  leva para todos os caminhos. Nos caminhos, as paredes são de pedras, e a luz é feita de fogo, e do caminho que vira estrada se quiser, que vira trilha se quiser, uma luz aparece deixando ver a grama.
      E o caramanchão! E o balanço na árvore! Voava pelo balanço e lá de cima via o muro de pedras contornadas de verde, e flores vermelhas  espiando. E lá estava seu cavalo comendo capim, e relinchava  sorrindo assim, do jeito que cavalo sorri.
      Pegou a liberdade e fez um portão. Um portão de troncos e escreveu em cima: Bem-vindo! e correu pela grama, e cheirou as flores, pois lá a tarde é de sol.
       Se não for susto ou medo, convida o brinquedo para acampar. Uma cabana é lunar.Cabana é espaço para dois. E a noite é sempre estrelada com cadentes riscando o céu.  Mas agora era dia, e as flores cheiravam, todas elas, com cores vivas, e ela cantava a música da Linda Rosa Juvenil, pois era seu nome, Rosa: A linda Rosa juvenil, juvenil, juvenil, vivia alegre no seu seu lar, no seu lar..
- Mãe, cadê a Rosa?
- O que é, Tereza?
- A Rosa, mãe. Cê viu a Rosa?
A mãe colocava a colher de sopa no olho machucado pra ver se a dor passava. Se tivesse bife em casa, botava bife, depois lavava e comia. Mas não tinha, e a dor da pancada doía. Os olhos da filha Tereza mais arregalados que o círculo da frigideira, mais que nunca, mais que em todas as brigas.
-Deve lá, escondida embaixo do lençol, como sempre que o pai chega e bota o mundo abaixo. Lá, no alto do beliche.
- não mãe, vem ver...
 - Depois, filha, depois..
Pois a dor doía, e ainda tinha roupa pra lavar, e limpar o chão que a panela do feijão tinha derrubado.
- Eu ajudo, mãe...
Tinha quatro anos, Tereza, só quatro. Mas já varria e limpava e olhava os gêmeos . E dessa vez o pai tinha batido forte e derrubado o feijão. E a pequena, magrinha, tão pequena, pegava o balde do seu tamanho, e o pano.
- Mãe, cadê a Rosa?
É mesmo, já tinha acabado a briga, agora o pai não voltaria tão cedo pra casa, Rosa sabia disso, já  estava acostumada, mas não vinha ver, não vinha ajudar a botar as coisas no lugar. Cadê a filha?
- Rosa!- gritou a mãe. Rosa!
Devia ter saído. Vai ver que pulou a janela do barraco, ganhou rua, fugiu do grito. E Vanderlei que não chegava do serviço? Mas os gêmeos agora pediam peito.
Vanderlei chegou, o feijão novo aprontou, todo mundo comeu. Menos Rosa.  A mãe tinha medo de sair de casa no escuro, os tiros já começavam no céu, o aviso que a mercadoria do morro  tinha chegado.
E Rosa não voltava pra casa. Vai ver que foi pra casa de fulana..
O dia chegou com o ruído dos helicópteros da polícia em cima do morro. E as crianças embaixo do beliche fugindo das balas, escondendo Vanderlei. E Rosa não estava.
E mais uma noite passou, e mais um dia chegou. A mãe já podia procurar por Rosa. Vanderlei já tinha ido embora . Tereza tinha de ficar tomando conta dos gêmeos.
- Vai não, mãe, fica..
E os olhos negros redondos  molhavam de lagoa.
- Então, vamos todos juntos. Mas antes vou arejar o quarto que ontem choveu.
Abriu a janela que agora não tinha tiro no ar, e entrou o sol. E o lençol  foi quarar na janela mesmo, qual bandeira em dia de jogo.
- Mãe! Olha lá a Rosa!
O coração da mãe se alegrou: - Cadê, filha, cadê?
- Aqui, mãe, correndo nas flores do lençol..
A sombra foi preta, e a vontade de dar um tapa na filha pequena que parecia estar ficando doida que nem a avó tinha ficado.
- Pára de falar bobagem! Deus castiga!
- Olha, mãe! Olha aqui no lençol! Ela rindo pra mim!
A filha pequena pegava a ponta do lençol e mostrava pra mãe mas a mãe sacudia a cabeça, lembrava da mãe louca falando com os anjos e querendo andar nua , e cantando músicas de fantasmas.
- Olha, mãe, também quero ir lá!  Rosa! Me leva praí!- gritava a irmã para o lençol.
- Deve ser uma formiga, uma barata que você tá vendo...
- Olha a Rosa, mãe, vem ver!
A mãe resolveu olhar.
- Cruz credo! Valha-me Padre Santinho! Nossa Senhora Aparecida! Minha Iançã! Meu Iorubá!
Do meio das flores do lençol, Rosa acenava pra mãe, mandava beijos e sorria.
Rosa tinha  pegado a coragem como sua bagagem e saido  da casa. A casa no alto do beliche, onde sempre a esperava com seus cômodos.  A cada susto, medo, acostumara-se a erguer  suas paredes de travesseiro, cobrir-se  com seu teto de cobertor. Vasculhava seus cantos nas dobras, descobria  seus encantos, desvendando  seus mistérios, arrumando suas gavetas em caixas de fósforos, encontrando  ninhos, e nichos, e bonecos de porcelana. Fazia  o jardim com as florzinhas estampadas do lençol. E contava-se histórias para dormir. Depois acordava, ajudava a mãe, vestia o uniforme, ia para a escola, se tinha aula ficava, se não tinha, voltava. E ajudava a mãe, que tentava arrumar serviço de costura à mão, nem máquina tinha. O irmão já saído pro mundo. Às vezes no mundo ficava. E se o pai chegava rindo,  tinha de cobrir bem a cabeça para não saber da noite dos pais, e cantar baixinho pra não acordar os irmãos menores , mas alto o bastante para não ouvir os ruídos dos pais. Mas se o pai chegava com o fedor de quem perdeu, não ia ter cheiro bom de feijão que segurasse a mão pesada na mãe. Rosa corria e cobria a cabeça para não saber da briga. Vanderlei em casa também apanhava mas já batia, um dia até tiro deu mas não pegou. Cobria a cabeça e cantava baixinho , baixinho pra ninguém ouvir, mas alto bastante para não ouvir os gritos. E fazia de lá sua casa, de onde não queria sair, até dormir.
 Mas, dessa vez, Rosa não saiu.
O lençol, agora, não está mais no beliche. Está estendido de lado a lado , dividindo o quarto em dois,   para a filha ter um mundo grande para morar.

domingo, 20 de outubro de 2013

Resenhas

Arrumando o computador, encontrei algumas coisas bacanas que falaram sobre os meus livros. Entre elas , uma de Tatiana Belink.. ah!
Resenhas

CRÍTICOS DE SP PREMIAM OS MELHORES DE 94
Mànya Millen- O Globo 28 de março de 1995
O casamento perfeito entre ilustrações de primeira qualidade e textos de escritoras consagradas só poderia acabar em prêmio. Por isso, “Chamuscou não queimou”, o penúltimo de seis volumes da coleção “Assim é que se lhe parece”, lançada em agosto do ano passado pela Ediouro, recebe hoje à noite, no Teatro Municipal de São Paulo, o prêmio de melhor livro infantil de 1994 concedido pela Associação de Críticos de Arte - que também premia as áreas de teatro, televisão e artes plásticas. O livro , de concepção editorial e gráfica, une as histórias de Angela Carneiro, Lia Neiva e Sylvia Orthof às delicadas ilustrações criadas por Elisabeth Teixeira, Mariana Massarani e Roger Mello.
A coleção foi idealizada por Helena Rodarte, editora da área infanto-juvenil da Ediouro. Para ilustrar à altura dos ótimos textos de Angela, Lia e da mais que premiada Sylvia Orthof, Helena escolheu Elisabeth, Mariana e Roger para colorir e dar corpo às bruxas, fadas, princesas e dragões que habitam os seis volumes da série.
-Cada um dos ilustradores tem um traço único e maravilhoso - elogia Helena. - No ano passado, por exemplo, já ganhamos o prêmio de melhor livro sem texto dado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil para “O gato Viriato” de Roger Mello.
Além de encontrar belas ilustrações a cada página virada as crianças têm a surpresa: ao terminar a história de uma autora,  a escritora seguinte prossegue do mesmo ponto onde a anterior parou.
- O objetivo do projeto é fazer mesmo essa miscelânea - confirma Helena. - Queríamos que a criança pudesse perceber várias linguagens e estilos juntos. Isso acontece não só em relação às ilustrações, mas também em relação aos textos que variam do mais clássico como o de Lia Neiva , até o mais brincalhão como o de Sylvia Orthof.

Brasil at the Bologna Children’s Book Fair 1996
Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil - FNLIJ
Ana Maria Machado, Angela Carneiro, Graziela Bozano Hetzel, Guto Lins, Leo Cunha, Lia Neiva, Marina Colasanti, Roger Mello, Sonia Junqueira, Sylvia Orthof .These are some of the authors of Ediouro

THE BEST FOR CHILDREN- Coleção Assim é que se lhe parece. Angela Carneiro, Lia Neiva e Sylvia Orthof. - série Doze olhos e uma história, 6. V
Taking common themes of traditional narratives as a starting point, the authors, already consacrated in juvenile literature, build up texts which privilege humor, the rupture with expectations, and parody. The plurality of points of view, as suggested by the title of the collection, as well as by that of the series, allows readers to have effective contact with the different narrative styles. That makes it possible to reach the goal of this collection, that is, there is no one, and true, story, but stories, there is no language, but languages.
Illustrations by Roger Mello, Mariana Massarani and Elizabeth Teixeira dialog in the same counterpoint as the verbal texts.

FADAS COM ESTILO -  VEJA Rio, 15-3-95
Quantas histórias existem dentro de uma história? Nos livros da coleção assim é se lhe parece, pelo menos três . Neles, Angela Carneiro, Lia Neiva e Sylvia Orhtof, três de nossas melhores escritoras, trabalham com o imaginário dos contos de fadas habitados por príncipes e princesas, bruxas, reis e rainhas, para cada uma dentro de seu estilo, mostrar que há mais de um desfecho possível. até mesmo para a velha fábula do príncipe-sapo. Ilustrados por Elisabeth Teixeira, Mariana Massarani e Roger Mello, vou aqui e volta já, nem assim nem assado, Cropas ou Praus, Se faisca Ofusca, Chamuscou não queimo, Quem acorda sonha, são livrinhos divertidos que ganham relançamento com pompa graças ao prêmio d o melhor livro de 1994 que Chamuscou conquistou da Associação Paulista de Críticos de Arte. Benita Prieto, Celso Sisto e Eliana Yunes, as três vozes do grupo Morandubetá, vão contar  fábula do dragão que só uma princesa poderia derrubar. A farra no salão  de vidro do Shopping da Gávea (1o piso) dura uns 45 minutos. E depois quem se interessar pode comprar um dos livros que estarão expostos lá mesmo e na livraria Malasartes que abriga uma tarde de autógrafos.
COLEÇÃO INFANTIL TEM PROJETO PREMIADO- Lucia Baroni. Diário de Votura
Lançada com o objetivo de oferecer uma alternativa de qualidade e conteúdo ao público infantil, a coleção ASSIM É SE LHE PARECE é um projeto inédito que leva assinatura conjunta de Angela Carneiro, Lia Neiva e Sylvia Orthof, escritoras premiadas e experientes na concepção e abordagem de temas destinados a garotada.
Como sempre, as obras de êxito comprovado junto à faixa etária a qual se destina, acabam seduzindo também os adultos. Isso deve-se , além da familiaridade com  criança que todos já foram um ida, ao excelente trabalho do trio autoral que supera os limites da tarefa de contar uma história - cada escritora, com seu próprio estilo, mostra os desdobramentos existentes dentro de uma história.
Composta por seis volumes, a coleção aborda a fantasia dos contos de fadas. Como o gênero fictício valoriza a liberdade e total falta de amarras, Angela Lia e Sylvia escrevera a seis mãos. Elas deram continuidade a partir do trecho que já haviam recebido de sua antecessora.
É a primeira vez, que segundo a editora carioca, este tipo de projeto é promovido no Brasil.
Imprescindíveis em termos de literatura infantil, as ilustrações exploram a experiência de profissionais de talento como Elizabeth Teixeira, Mariana Massarani e Roger Mello. Os recursos gráficos de primeira são o complemento ideal para o humor, o inesperado e a crítica - atributos presentes em todos os volumes.
Um deles, Chamuscou Não queimou, quinto da série, ganhou o prêmio de Melhor Livro Infantil de 94 pela APCA.
HISTÓRIAS ESCONDIDAS NAS HISTÓRIAS- Correio Brasilense
Seis volumes infanto-juvenil da Ediouro mostram as várias histórias que existem dentro de uma única história. Este é um dos objetivos da coleção Assim é que se lhe parece , que faz parte da série Doze olhos e uma história.
O projeto editorial inovador traz três das mais premiadas escritoras da Ediouro, Angela Carneiro, Lia Neiva e Sylvia Orthof - e que nessa coleção trabalham com o imaginário dos contos de fadas. Como em um divertido desafio uma começa uma história e outra escritora termina ou dá continuidade, a seu modo e habitadas por príncipes, princesas, fadas , reis e rainhas as histórias contam ainda com o toque muito especial das ilustrações de Elizabeth Teixeira, Mariana Massarani e Roger Mello.
Vou ali e volto já-  O Casamento de Romualdo, O Estranho e Docemel, são as três historinhas dentro desse primeiro volume. Nascimento de um netinho, bruxa como madrinha de casamento e outros tantos acontecimentos incomuns nos contos de fadas estão neste volume.
Nem assim nem assado- Brunilda e o Príncipe Encantado; O Desencanto e Uma História Apimentada. De príncipe e peixe encantado, tudo acontece nas três historinhas nas quais cada escritora enriquece o enredo com seu estilo.
Cropas ou Praus? O Cavaleiro Desmantelado, O Bosque Sombrio e Frescolia a dos olhos verdes. Na seqüência dessas histórias uma brincadeira com a pronúncia das palavras e muito bom humor.
Se faísca ofusca- A Vingança de Maligna, Um estouro, e Ora, Bolhas!mas três histórias bem divertidas especialmente pelo requinte de crueldades dos vilões.
Chamuscou não queimou- Eleito o melhor livro infantil do ano pela APCA, Neste volume O Dragão e a Princesa, Dragonando e Maga Orthofia a cantadeira. As três histórias inclusive com personagem referente a própria escritora Sylvia Orthof também misturam feitiços inimagináveis.
Quem acorda sonha. A Fada que soluçava; Era uma vez um soluço e o Gnomo sinote e o treco na glote, falam de um gnomo badalante e estranhos soluços que atacam as personagens.

Quem acorda sonha - Diário Votura/ Indaiatuba- SP 25-2-95
Quando uma fada através de soluços começa a transformar a natureza, está definitivamente rompido o compromisso com a realidade. Nesta última séria de histórias, Lia, Angela e Sylvia mergulham no mundo da magia, do encantamento e se despedem da coleção cercadas de gnomos, duendes, fadas,sílfides, náiades e ninfas.
SE FAÍSCA OFUSCA- Já imaginaram um reino onde cada habitante ocupa um espaço proporcional à sua importância? Aproveitando essa idéia fantástica, as três autoras contam as suas histórias e levam seus leitores a refletir sobre a inutilidade das vaidades, dos privilégios das disputas e das ambições
Brasil at the Bologna Children’s Book Fair 1996
Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil - FNLIJ

COLEÇÃO ELES SÃO SETE - In an original work, with a quality graphic project, seven authors get together in each of the seven books dedicated to the capital sins - gluttony, anger, sloth, pride, envy, covetousness and lust. Renowned Brazilian juvenile literature authors created stories for young readers’taste; with much humor, curiosities, discoveries and sins.
The tales are accompanied by photos and informations on the authors . The characteristic trait of the stories is the irreverence of the writers,dealing with such a delicate theme. There are illustrations which introduce the stories, registering in images, the adventure told in the text.

VESTIBILHAR DE MEDICINUCA (O DIÁRIO -2-3-95)
Osvaldo Lopes de Brito
A história recua no tempo para o ano de 1972. A Avenida Atlântica acaba de ser alargada; o cinema Paissandu exibe filmes de arte, diretores cult, os ídolos são  Chico Buarque, Caetano Veloso, Gal Costa, Gil Bethania, os Beatles, Jim Hendrix, Leila Diniz. As estantes estão espelhando um mundo diferente, novo; Drummond e Bandeira, força total da poesia. O  museu de Arte Moderna é o ponto de encontro. A cidade fervilha. A política passa a ser uma realidade próxima. O medo também.
Esse é o cenário em que a excelente escritora coloca os seus personagens centrais a turma jovem que se prepara, ansiosa, para os exames vestibulares, cada qual para a faculdade preferida. Os garotos,  meninos e meninas, estudam brincam, amam e o leitor se infiltra aos poucos num mundo que, vinte anos depois, permanece quase igual.
Interessante: nas últimas páginas, a romancista revela , de alguns, qual foi o seu destino , muitos anos mais tarde, já esquecidos aqueles vestibulares. Uma beleza! Não percam este romance.
QUAL O CAMINHO DO SOL? Vasques Filho- Tribuna do Ceará 9-89
A editora José Olympio nos faz chegar às mãos com amável dedicatória das autoras, a deliciosa história infantil Qual o Caminho do Sol? de Malu Alexim e Angela Carneiro, capa e ilustrações de Angela Carneiro. O texto conta  a história do garoto Gustavo Augusto Gusmão, o Guto, que , em um dia de tristeza, resolveu fazer um boneco de pano dando nascimento, com certidão de nascimento e tudo, ao Trampolim Topa-Tudo, ou simplesmente Trampa, com o qual se dispões , para atender a um pedido da lua apaixonada pelo sol distante, a procurar espaço afora a morada do astro-rei, para dar-lhe um recado da lua e seus séquitos de estrela.
Aí começam as peripécias dos dois amigos, contadas em prosa e verso, que as autoras sabiamente misturaram e tanto numa como noutra bem utilizaram a figura da aliteração, dando sabor especial à leitura da garotada e também dos adultos, como nós, que lemos o livro de uma assentada, presos que ficamos, desde o primeiro capítulo ao sonho do garoto e seu boneco muito bem engendrado pelas autoras. É o mais belo livro de literatura infantil, bem escrito, sem rebuscamentos para o bom entendimento dos pequenos leitores.
Depois de feito o boneco Trampa, lá estava o garoto a divertir-se com o seu amigo, pronto para dar saltos e cambalhotas, empreendendo viagens imaginárias vestidos com nuvens brancas abrindo caminho para as estrelas do saber e do coração. E logo aparecem as descobertas e as verdades coloridas de um sonho quase interminável e sobre este trabalho assim se manifestou o poeta Affonso de Romano Sant’anna: é uma história alegre, luminosa, teatral. Guto e Trampa realizam peripécias que perpassam terra, céu e mar. Angela e Malu constróem um texto ágil, fantasticamente didático, exibindo com maestria a união da prosa e da poesia.
Desta união, desta sintonia entre o poético e o real, muito bem explicitada é que o livro conquista o leitor da primeira à última página deixando-nos com  imaginação livre para açular nossa curiosidade, enquanto nosso sentimento entra de pronto no sonho de Guto e de Trampa, cuja amizade é sincera e comovente, bem ao feitio do que imaginamos, seguindo passo a passo essa dupla comunicativa e sonhadora, pois Guto se completa com Trama em todas as horas, seja na escola, no judô, na natação, na aula de inglês ou nas suas fantasias.
HISTÓRIA BEM CONTADA EM LINGUAGEM ÁGIL E ATUALIZADA
TATIANA BELINKY
Criança gosta de aprender, mas não gosta de ser acintosamente ensinada. E este livro Qual o Caminho do Sol, de Malu Alexim e Angela Carneiro, é fantasticamente didático como observa Affonso Romano na contracapa o que para mim, não constituiria vantagem em si: lugar de livro didático é na escola. Mas este livro, que é, digamos, paradidático é principalmente fantástico, com são , por exemplo, os paradidáticos de Monteiro Lobato do tipo O poço do Visconde ou a Aritmética da Emília, os quais em que pesem algumas opiniões em contrario são tão  apreciados pelas crianças como os outros, de fantasia pura.
E por falar em Emília, o Guto é quem conta a história de Qual o Caminho do Sol tem um amigo que é um boneco muito emiliano, feito de pano e que é engraçado, desengonçado e esperto como ele só:o Trama, companheiro inseparável de Guto, que o carrega por toda parte, sem prejuízo da sua - Guto- macheza de campeão de corrida de rua e fundado r do Canelada Futebol Clube.
A história, muito bem contada, em linguagem ágil , de um coloquial infantil alegre e atualizado, relata como o Guto deu uma estilingada na lua, a qual desceu para pedir-lhe satisfações na forma de uma mulher linda-deslumbrante, mas para fada do que para alguma Diana-caçadora. Dona lua, falando em verso e em prosa, encarrega o Guto de uma difícil missão, como condição para perdoá-lo por tê-la machucado. É que ela tem um caso de amor desencontrado com o Sol e para conseguir um encontro com o astro rei precisa do menino que poderá ajudá-la e fazer-lhe uma pergunta etc.
Isto é, a história tem uma estrutura semelhante a certos contos de fadas clássicos, onde há tarefas a serem cumpridas, charadas a serem decifradas, virtudes a serem provadas cada uma representada por uma advinha em versos. Uma história moderna a moda antiga, fantástica e poética, inteligente e bem-humorada. E contendo uma série de dicas e informações úteis e interessantes em pílulas douradas como quem não quer nada.
Muito dialogada e bem estruturada, a história pede para ser peça de teatro. Daí presta-se muito bem para leitura dramática e jogo dramático, na escola ou em qualquer outro espaço.
Até por que o livro é fisicamente atraente, bem diagramado,tipos de bom tamanho, bons espaços entre as linhas, margens, largas, coisas importantes para o leitor que não tem muita paciência com páginas compactas e lera miúdas. De que serve um livro sem figuras e sem diálogos, disse Alice no País das maravilhas, e este livro tem ambos.
SURPRESAS- O Liberal, PA
A escritora Angela Carneiro está lançando o livro Caixa Surpresa pela Ediouro. Trata-se de uma caixa de tampa de cristal que guarda dentro um tesouro feito de sonhos luzes  cores, além de sentimentos e sensações que podem ser muito frágeis e por isso têm de ser tratadas com muito cuidado. Angela é escritora premiada como O Autor Revelação da Câmara Brasileira de Livro. Fernando Nunes, que ilustra o livro é premiado diretor de dança contemporânea.

Caixa Surpresa-Diário do Nordeste
O livro de Angela Carneiro com ilustração de Fernando Nunes está um primor. É belíssimo! Uma poesia só! Faz você percorrer o mundo mágico da imaginação povoado com duendes, fadas e piratas. A qualidade de seu texto foi reconhecida pela Câmara Brasileira do Livro Prêmio Jabuti  que a escolheu como autor revelação e pela FNLIJ que premiou o seu Caixa Postal considerando o melhor para jovens. Nas primeiras páginas  a autora dá um conselho: quem deseja conhecer os segredos desta caixa que tem tampa de cristal pedimos que tome cuidado, abrindo-a com as pontas dos dedos.
Livros- Caixa Surpresa Hoje em Dia, BH
Há um segredo em tudo. Um segredo, dois ,três, quatro.. Em Caixa Surrares a escritora tira segredo das palavras e multiplica a fantasia a partir da luza, dos sonhos, das cores. A leitura desse livro é recomendada para pessoas com sentimentos delicados, é preciso ir com cuidado, revelando a imagem que há por trás de cada frase. Caixa Surpresa é um presente para meninas e meninos aventureiros.

PAIXÃO POR CORRESPONDÊNCIA
Laura Sandroni, O Globo- nov. 92
Cartas trocadas entre uma adolescente carioca e um universitário mineiro são a matéria prima com que Angela Carneiro constrói  Caixa Postal 1989, seu segundo livro juvenil lançado pela José Olímpio. Diários, cartas, memórias são formas muito usadas para esse público, porque possibilitam um texto dividido em capítulos curtos e concisos, nos quais não há lugar para grandes descrições ou digressões. A juventude tem pressa.
Entre muitos títulos publicados par essa faixa de idade, todos com estrutura, linguagem e temática semelhantes, este Caixa Postal 1989 se sobressai porque a autora consegue, inteligentemente, discutir uma série de assuntos de interesse do leitor, além de suturar momentos importantes de nossa História.
Laura, a protagonista, encontra, folheando uma revista antiga, mensagem de Léo em busca de uma amigo que também goste de poesia. Curiosa, escreve-lhe um bilhete em que declara adorar versos, ter muitos amigos, mas estar à procura de novos. Durante mais de dois anos a correspondência prossegue e uma sólida amizade vai se formando entre os dois, até que se conhecem pessoalmente e descobrem que estão enamorados.
Além do dia-a-dia de cada um, com suas diferenças de temperamento - Laura extrovertida, cheia de programas e amigos; Leo com dificuldades para entrar no mundo adulto - e a poesia a uni-los, os dois mostram um panorama bem real dos jovens de classe média brasileira. Relacionamento com os pais, drogas, sexualidade - todas essas questões são tratadas em relação principalmente aos amigos de Laura, pois ambos os protagonistas têm em comum o fato de serem caretas assumidos. Os pais de Laura são também personagens interessantes, abertos ao diálogo, e não renegam a própria juventude, vivida intensamente nos anos 60. Para Léo, mais introvertido, os problemas se situam na questão vocacional -ele quer ser escritor - e na afirmação de sua masculinidade.
Em linguagem coloquial, Angela Carneiro realiza uma obra bem estruturada e de indiscutível interesse.
Signos da Pós-adolescência- Correspondência entre dois jovens aborda sexo, drogas, política e amor. Marcus Veras, JB- Idéias
Existe uma faixa etária do mercado consumidor de livros inteiramente abandonada. Entre os 15 e 18 anos , ou o jovem tem à disposição clássicos importados - que na maior parte das vezes considera tediosos - ou fica por conta de uma subliteratura de bancas de jornal. Caixa Postal 1989 , de Angela Carneiro acerta no alvo com uma literatura inteligente e cheia dos signos que o pós-adolescentes sabem decifrar.
A correspondência entre dois jovens costura todo o livro, e a cada capítulo uma nova surpresa deixa o leitor curioso do que virá pela frente. Angela  não só escreveu sobre as dúvidas e alegrias da turma, como teve o trabalho de manuscrever muitas das cartas, dando um toque pessoal que a máquina de escrever (ou o computador ) às vezes esconde.
Laura, 16 anos, carioca, se corresponde com Leo, de 20, mineiro e, à medida que o enredo nos leva pelos sonhos dos dois jovens, cresce a expectativa: o que acontecerá quando finalmente se encontrarem? Nas páginas destas cartas surgem de forma suave e bem transada a virgindade, as drogas, a política, e o trabalho, o primeiro amor, os pais doidões e as mães caretonas e vice-versa, dias bons e ruins.
é cedo para falar de amor? Então, se não é amor, o que isso que faz meu coração disparar? detona Leo. Eternas perguntas, que remetem par tempos menos duros, porque a vida, por um defeito de fabricação qualquer, é sempre mais feliz no passado que no presente. O pior é que não há certificado de garantia.. Mas Angela não dá tempo de parar e pensar. Assim como a juventude, é tudo intenso e fugaz, e o mérito da autora é apreender este pique e torná-lo palavra. Na maioria das vezes só tenho perguntas erradas reclama Laura. Não faz mal. É desse jeito torto que acaba se chegando às respostas certas.
O AMOR CHEGA PELO CORREIO -Rony Farto Pereira - Proleitura, abril
Caixa Postal 1989 constrói-se com cartas escritas por Laura, 15 anos do Rio e Léo, 19 anos, de Belo Horizonte, a partir de um anúncio enviado pelo rapaz a uma revista feminina Delicada à procura de um amigo.
De um sentimento de curiosidade, com as confidências e as dúvidas próprias da idade, para um amor à distância, eis o eixo da narrativa, que mescla o romance epistolar com a presença de um narrador, ocupado em estabelecer (e até atrapalhar) as relações entre as cartas e introduzir novas situações na vida de Laura, como as relativas à sua amiga Marlúcia.
É flagrante a artificialidade de alguns episódios, especialmente do ambiente familiar de Laura; há tambó o exagero na construção das densas cartas, principalmente as de Leo, inadequadas para sua idade. No entanto, o estilo pouco explorado e o conteúdo do livro que se esforça por entrar no clima do mundo dos adolescentes certamente conseguirão atrair os leitores.
A busca do amor, as eleições de 89 para Presidente, o consumo de drogas, a greve de professores, a vida na escola, boa parte desses ingredientes ilustra sem um tom moralista, as preocupações dessas duas pessoas , que podem bem ser as inquietações da juventude de hoje.
Muitos desses aspectos lembram Ana e Pedro de Vivina de Assis e Ronald Claver, comentado no número 2 do Proleitura. Há coincidências interessantes, Léo e Pedro são tímidos e gostam de escrever, Laura e Ana é quem tomam a iniciativa da primeira carta, votam no Covas, etc.
Mas o gênero é diferente em Ana e Pedro porque não há narrador, estabelecer ligações entre as cartas é tarefa do leitor, que terá mais trabalho -embora o resultado do esforço acabe sendo mais gratificante.
Como Ana e Pedro, o livro de Angela Carneiro poderá ser utilizado com proveito por nossos alunos com o acompanhamento do professor, para que discussões e aprofundamentos possíveis conduzam a uma compreensão razoável e a um prazer efetivo do ato de ler.
CORRESPONDÊNCIA DESCONTRAÍDA ENTRE JOVENS- TRIBUNA DO NORTE-
Uma narrativa epistolar centrada na correspondência entre dois jovens (uma adolescente de 15 anos e um estudante de letras de BH) que se contatam através de um anúncio classificado. Este é o tema Caixa Postal 1989 de Angela Carneiro. Angela escolheu a técnica das cartas para diluir o ponto de vista e a voz do narrador (que representa o adulto e o sistema) e deixa fluir com espontaneidade os sentimentos, as idéias e reflexões dos jovens sobre si mesmos e o mundo. Assim o texto discute sem moralismos ou lições baratas de pedagogia, questões polêmicas como a liberação sexual, o uso de drogas, a política a  miséria, a melancolia e a descoberta das armadilhas do cotidiano. Tudo sempre a partir da perspectiva do adolescente. A linguagem coloquial permite uma aproximação segura com os jovens. A protagonista Laura dá o tom:suas relações com os amigos, a escola, a família e a sociedade, sem pieguice nem concessões fáceis.
PREMIADOS DE 92- Catálogo da FNLIJ
CAIXA POSTAL 1989-
Descobrir e ser descoberto. Entrar em todos os universos e fazer de cada conquista uma experiência única. É o viver do adolescente. E a tônica de Caixa Postal 1989 é justamente o encontrar-se e o encontrar o outro através do diálogo.
Procura-se um amigo. Era este o anúncio de uma revista feminina, dessas que prometem sonhos. Laura, uma moça-menina de 15 anos, responde e conhece Léo, estudante de Letras. Passam a trocar correspondência, onde falam de si e de tudo que os rodeia. Seus amigos, as eleições par presidente, a queda do muro de Berlim, greve de professores, queimar ou não fumo, e os problemas nos relacionamentos são temas das conversas distantes entre Laura e Léo,jovens que, embora queiram estar na vanguarda de tudo, no íntimo são tradicionais, românticos, sonhando como já sonharam seus pais e avós.
O público adulto que se aventurar por esta caixa postal vai se sentir remetido à sua adolescência, viajando no tempo e no espaço, evocando recordações e vivenciando as mesmas angústias e alegrias que os jovens personagens. Já o público juvenil encontra no livro o seu dia-a-dia, seus pequenos e grandes dilemas, encantos e decepções.
Retomando a técnica da narrativa epistolar , usada por Goethe em Werthe (1774) e inúmeros outros escritores, a autora administra bem um material que, embora apresente um curso previsível, agrada em cheio ao jovem.
Angela Carneiro põe as cartas na mesa. Faz capa e ilustra o livro, com desenhos que dão um toque de humor/amor , bem apreciado pelos adolescentes. Recebeu,por esta obra, o Altamente Recomendável para Jovem.
GOSTO DE ESCREVER- Guilherme Figueiredo
No Brasil, todos escrevem e ninguém lê. Empilho um mundão de livros na minha mesa.. Que vontade de bocejar como o poeta: A carne é triste, ai, e já li todos os livros..” Melhor: A carne é cara e os livros são de morte!
Não exageremos. De vez em quando tropeço, não numa pedra do caminho, mas num livro! Um livro de carne e osso, isto é, escrito de corpo e alma com suas montanhas de estilo, mas um livro; e, ainda mais, um livro infantil, numa terra em que quase só se escrevem livros pueris. Trata-se de Caixa Postal 1989 de Angela Carneiro que já fez boa promessa em Qual o Caminho do Sol? Não gosto de escrever sobre livros, porque cabe aqui ao colega Carlos Menezes orientar-me par as minhas leituras. Mas s e um livro me assusta, vejo-me partindo para a minha dactilo-editora, com quem travo meus artritismos e mal-entendidos. Até sair alguma coisa que preciso dizer: trata-se de uma estória epistolar entre dois adolescentes que não se conhecem. E devagarzinho, envelope por envelope, descobrem o amor. Como se Dáfnes e Cloé dispusessem de um correio incapaz da perversidade adulta das Ligações Perigosas. Sem perigo. Recados de cada dia, de encantadora modernidade e idioma tateaste, um tatear à procura da experiência da vida. O livro paira no clima de duração que se estende , após a leitura, numa frase que a menina Laura deixa escapar como uma confissão de adeus; Gosto de escrever.



ADOLESCENTES NA INTERNET - O Globo, Prosa e Verso
Eu te Procuro- O livro é uma continuação de Caixa Postal 1989 lançado em 92 e vencedor do Jabuti de Melhor livro para jovens. A autora volta a promover neste novo livro o encontro da  mesma turma do primeiro , que retoma as conversas sobre gravidez, paixões , bebidas e drogas. A diferença é que ,s e antes a troca de correspondência se fazia pelo tradicional correio, agora o papo acontece via Internet


Cartas eletrônicas- O Globo - Informática etc.  Marcelo Balbio
como muita gente, a escritora Angela Carneiro não passou impunemente pela transição da máquina de escrever para o computador. Também não deixou em branco a surpresa ao constatar que seu micro, ligado à Interne, não era uma máquina fechada, isolada do mundo. Ao contrário, era um meio de se ligar a um mundo chamado de virtual, porém habitado por seres bem reais. Ainda que de forma ficcional, a transformação (con) vivida por Angela está registrada em seu último livro Eu te procuro , um lançamento da José Olympio editora de outros cinco títulos da escritora.
O livro é uma continuação de Caixa Postal 1989 lançado em 92 e vencedor do prêmio Jabuti na categoria Melhor para jovens, em que Angela aborda temas como gravidez precoce, relacionamentos amorosos, abuso de bebidas e drogas, tudo sob a ótica dos adolescentes. A essência do livro é a incessante troca de correspondência entre os personagens. Daí a diferença entre um livro e outro: se no primeiro as cartinhas cruzavam os espaços através do bom (?) e velho correio, agora as correspondências navegam também pela Internet através do e-mail. Uma mudança considerável no comportamento, visto que o troca-troca no espaço cibernético é praticamente instantâneo e seguido de uma série de novos códigos e símbolos, como o uso de emoticons . A noite de autógrafos será no dia 17 no restaurante Terra Brasilis. Pro que num restaurante? Porque lá é o ponto de encontro de um grupo de usuários do BBS CentroIn. Tudo a ver.
                        TEM BOI NA LINHA DIGITAL DA NET
O Globo- Planeta Globo - Tom Leão
Quem navega na Internet procurando amizades e namoros nos chats da vida precisa ler o livro Eu te Procuro, (uma alusão ao programa ICQ) de Angela Carneiro. A autora dá seguimento a Caixa Postal 1989 (que tratava do tema via correio convencional) e mostra novos casos de romances e armações ilimitadas na grande rede. Quem é que nunca azarou on line?
Indicações de leitura: Proleitura
1-A GULA 
Primeiro de uma série de sete volumes tematizando cada um dos sete pecados capitais. Neste volume,sete contistas brasileiros contemporâneos refletem, ora com humor e ironia, ora com suavidade e candura sobre a gula
2-O PRIMO DO AMIGO DO MEU IRMÃO
Expoente da nova safra de autores juvenis, Angela Carneiro reafirma sua competência como escritora nessa narrativa em que cartas, telefonemas, registros em diários, pemas, se cruzam em diversas vozes adolescentes vivendo os problemas típicos da idade.Cabe ao leitor reorganizar continuamente as vozes dessa aparente cacofonia propondo sentido para a obra


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Meu novo livro e com receitas, inclusive a de ser feliz

Estou radiante: meu primeiro livro para adultos e em formato Kindle! O que quer dizer que pode ser lido em tablets e smartphones também.
O livro conta a história de uma senhora, a Marlene, que se vê UMA pela primeira vez. Viúva tem que reaprender a viver.  E o faz. Nesse movimento, muda de cidade, faz novos amigos e até um amor. Crianças, cães, pessoas de sexualidades variadas, vão aos poucos fazendo parte de sua nova vida. E ela a descobre.  E as pessoas se descobrem através dela. Marlene é mar em quem as pessoas navegam, é leme que dá a direção que cada um quer.
Sim, o livro tem  mensagem. A vida é para todos e pode ser espetacular mesmo se não houver espetáculo, viver basta. Mas isso, quando UM vira MUITOS.
Escrevi esse livro na procura de livros para ler. Já que estava com dificuldades de encontrar um livro para adultos ( Crepúsculos e Antes do Por do sol ,apesar dos mesmos belos nomes, não me interessam, são para jovens) que não fosse uma tragédia em atos. Que não fosse complicadíssimo. Que fosse pra cima, com uma história interessante e frases pra sublinhar.  Gostoso de pensar nas personagens, que estas ficassem fazendo parte da nossa vida.
Já que não encontrava livro assim, decidi escrevê-lo. Escrevia e lia pro marido. Um dia parei de escrever , deixei dormindo no computador. E o marido disse: Estou com saudades da Marlene, como ela vai?
Assim o escrevi.
O tempo passou e comprei um Kindle. Me apaixonei pelo trequinho. Eu detesto telefone celular e acho queo tablet seria o máximo se não fosse quente e a bateria durasse. (que coisa fantástica é um tablet! Parece que estou vivendo um conto de James Bond misturado com Fadas! Tv, filmadora, gravador louco, tela de pintura, biblioteca, tudo junto!) Ah! mas o kindle, leve, frio, gostoso de estar na mão e tão bonzinho pras senhores e senhoras ceguetas , permitindo letras garrafais, e tão bonzinho com seus zilhões de livros gratuitos para quem lê em inglês, e .. a coleção inteira de Balsac por 3 dólares! E dá pra sublinhar as frases, e ver quem sublinhou também, e dá pra fazer anotação no livro, e dá pra saber o significado da palavra em qualquer língua!!  Gamei.
E a Editora Descaminhos apareceu me encaminhando!
Estou mais feliz que pinto no lixo!  Espero que vocês gostem da Marlene.E de suas comidinhas.

E, em breve, o José que dorme no meu computador surgirá.. Acho que estou crescendo. 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Resenhas de filmes, de filmes baseados em livros e livros baseados em filmes

CAPTURING MARYAh! como é bom se deparar na TV com uma obra de arte inesperada! Ligar a TV e estar começando um grande filme!Assisti segurando a alma!
Maggie Smith não é só a bruxa mor de Harry Potter, é um genio em forma feminina. Ah!! essas mulheres inglesas! 

A mansão inglesa lá está, vazia. Quem toma conta é um rapaz indiano. Aquela senhora bate à porta e, sabe-se lá porquê, o rapaz que tinha ordens de não permitir ninguém entrar, permite. E ela entra e vê a casa. E revê seu passado naquela casa, um passado pós guerra que passa pelos Beatles até hoje. Ela, que tinha sido uma jornalista promissora, teve, naquela casa , o encontro com um homem, um encontro que modificou sua vida, a ponto de tornar-se alcoolatra e com empregos menores, apesar de razoáveis. Esse homem travou uma conversa com ela na adega, uma conversa onde revelou as maiores pervesidades humanas dando nome aos bois. E , ao contar tais maldades verdadeiras a ela, passou a ser dono dela. 
Ah! que filme! Sonia Santana, fique de olho se tiver algo da HBO, pois vai se encantar! Como é bom saber que o ser humano é capaz de obras tão grandiosas e feitas pra TV!

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O Exótico Hotel Marigot

É drama, é comédia, é comedia romantica e é obrigatório!! Só artistas de primeira grandeza!!! IMPERDÍVEL! a gente assiste com um sorriso constante de gratidão por terem feito um filme tão maravilhoso. Sim, praticamente só velhos, velhos , cada um com sua tristeza, sua dureza, seu drama, e se encontram em um hotel para velhos na India. Lição de vida, certamente, nada de misticismo! claro que nos pouparam da tragédia que a índia é e do falso glamour. SOW de interpretação! e respeito ao expectador! um presente de verdade.
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MY OWN LOVE SONG
O que dizer sobre essa maravilha?
Que deveria haver um Oscar especial para a atuação dos dois protagonistas todo ano? que devia haver um Oscar anual para o diretor de fotografia?
Que, de brinde, a filha caçula do seriado The Nanny mais uma vez demonstra que as mulheres jovens estão sendo as grandes atrizes do nosso tempo?
Que é uma história de amor, compaixão, aceitação do outro?
A sinopse? "uma ex roqueira, agora cadeirante, tem um amigo meio pirado que fala com anjos. Juntos vão para N.Orleans com dois objetivos: assistir a uma palestra de um autor pilantra sobre anjos e aceitar o convite do filho da cantora que foi dado para adoção após o acidente que a deixou paraplégica" ok, não é convidativo.. mas oh! as músicas são de Chopin e Bob Dylan!! as imagens.. ah.. as imagens! o amor que permeia cada cena.. é um desses de ser obrigatório em currículo . É uma daquelas obras que nos fazem acreditar na possibilidade de uma humanidade fraterna e bela!
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Odette Toulemond
Meu caso com esse autor começou há 15 anos. Uma amiga tinha entradas pois ela havia cedido molduras para o cenário da peça. Era uma sexta feira, em plena época de obras na zona sul do Rio, coisas do Conde ou do César, já não me lembro.Era impossível andar um quarteirão de carro em menos de 15 minutos. O teatro era em Ipanema e lá fomos nós assistir a peça Freud e o Visitante.
Estatelei! 
Eu tinha de ler aquilo! Era uma maravilha! Minha amiga conseguiu o contato com a produtora, e lá fui eu até a Barra pegar a cópia do texto de Eric-Emmanuel Schimmit. 
Na epoca eu frequentava o BBS e só falava nisso, quer dizer escrevia. Freud recebia uma visita que parecia ser o próprio Deus.. 
Tempos passaram e ouvi o saudosérrimo Paulo Autran falando que estava encenando uma peça do mesmo autor. Fiquei ouriçadíssima, mas já morava em Cabo Frio. Então comprei na Amazon um livro com 4 peças de Eric Emmanuel , descobri que o cara era francês. Das quatro, uma era Freud e outra a encenada por Paulo Autran, ge-ni-al! 
Bem, aí vejo o filme encenado por Omar Shariff, Ibrahim. Adorei. Então, graças a internet, consegui assistir a Odette Toulemon. Que delícia de filme! Um filme feminino e a minha cara. Odette, como eu, desarvora a ler e escreve ao seu ator predileto. Sou assim. Entro em contato com os artistas. Tenho a impressão de que cada livro é uma carta e é até falta de educação não responder. Adoro receber cartas de leitores, então, faço o mesmo, seja livro ou filme ou música. Tem dado certo. 
Odette, como eu, enfeita a vida com cacarecos, papéis de carta estampados, bonecas com trajes típicos e outros brilhos mais. Também tenta ter o tal joi de vivre ou aquela outra palavra que esqueci. .. como é? Aprendi esse ano e já esqueci. s......... , bem, aí dança no meio da cozinha, bem papagaiada. Sou assim. Então gostei do espelho. 
A partir daí comprei todos os livros do autor . Adoro quase todos
Então, se não conhecem, vale a pena!

A ElEGÂNCIA DO OURIÇO
Este é meu último livro favorito. E vou contar o final no final, pois é exatamente o final que justifica o fato de eu nao ter dado 5 estrelas. Lembrou o personagem da Escolinha do Professor Raimundo que na hora de tirar um dez..
Também não gosto desse nome "Spoiler" que se usa pra avisar que se conta o fim de um filme ou livro, ou o mistério. Mas respeito o direito de escolha de quem porventura ler isso aqui. 

Eu já tinha lido o primeiro livro da autora, engenhoso, legal.. Mas não calou fundo na alma. No entanto este.. Comecei a ler e tive aquele dejavu.. pode ser em francês pois o livro se passa em Paris. Eu vi o filme do livro! e também o filme não me deu aquele jenesequá. (estou cheia de francesismos! galicismos, tá bom.) 

Imaginem o cenario: um prédio de gente rica em Paris. Tudo "bianê"(:-) ) O livro é escrito por duas personagens: a porteira intelectual de esquerda e a menina de 12 anos geninho que estuda japonês. A Porteira só tem uma amiga, a portuguesa faxineira Manuela. A menina, nenhum, e vê que a vida não tem sentido então programa se matar e incendiar o prédio.
As reflexões de ambas são permeadas de referências filosóficas, vale muuuito a pena ler! como o crítico de gastronomia ( do primeiro livro da autora) morre, um japonês riquíssimo compra o apartamento ficando amigo das duas.
( o tal do spoiler)
E aí, idiotamente a porteira morre no final.
Não faz sentido! fiquei com raiva. Lembrou-me os desenhos animados que meu filho fazia quando criança que explodia tudo no fim. Matar a personagem, ao meu ver, me parece fraqueza do texto, como filme nacional, quando dá a impressão que a verba acaba junto com o filme. Ora, não se sabe resolver, então mata-se a protagonista. FIM.

Iniciar um livro pode ser complicado, mas terminá-lo é mais ainda. Um bom livro deve ter uma conclusão, mas.. raro é autor que sabe fazê-lo. Eu mesma verifico que uso algumas artimanhas.. infelizmente. Gostaria de fazer melhor, mas matar a protagonista, nunca! O livro não precisa ser como a vida. Um livro é exatamente o oposto de uma existência, é a parte que vale a pena dela.
Mesmo assim, esse passou a ser um de meus favoritos.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Para Tamiires


Uma jovem me procurou  no Orkut pois iria fazer um trabalho sobre meu livro Vestibilhar de Medicinuca. Fiquei feliz e orgulhosa pois a professora deixou a escolha livre,  e, entre tantos títulos, ela escolheu exatamente um livro meu.

Este livro se passa no ano de 1972, ano do meu vestibular. Para escrevê-lo, passei seis meses na biblioteca nacional pesquisando. Li todos os Jornais do Brasil do ano de 72. Todos. Lia e anotava.

Rola uma tendência de nós ao envelhecermos entrarmos na síndrome do “no meu tempo” como se tivéssemos vivido um tempo melhor.  E não é nada disso. Claro que o sorvete Kibon da minha infância era muito melhor do que se tornou nos anos 90. No entanto, hoje, está muito melhor,pelo menos o de chocolate. Logo agora que não posso mais comer chocolate! Mas, mesmo sendo um sorvete gostoso, vamos combinar que não primava pela higiene. Até grampo eu  vi dentro do sorvete Kibon na ida década de 60. Mas perdemos a jujuba, o delicado, o Ki-bamba e o Ki-coisa. Seus similares são esponjosos e perfumados,ruins mesmo. O bombom alpino, então, nem se fala. Costumava ser a melhor coisa do mundo quando falhava na higiene, já que a embalagem deixava o chocolate exposto. Hoje tem gosto de fumaça. Isso só é compensado pela maravilhado “dark and soft” e uma variedade daquelas que...

Pera lá! não era esse o tema! sempre viajo. Voltemos ao Vestibilhar de Medicinuca. Tamiires, a jovem que quer saber, me pergunta qual a minha motivação ao escrever o livro. Devolvi a pergunta: o que você acha?
Dois foram os meus nortes. Um deles foi escrever um livro com um subtítulo virtual; Vestibilhar de Medicinuca ou Nós que não fomos presos. Pois tudo o que trata dessa época tem como protagonistas pessoas envolvidas em política, deixando a impressão de que todo mundo era engajado e não era assim, muito pelo contrário. Afinal, sei fosse assim, não tinha durado tanto. E o engraçado é que o filme 1972 também marcou esse ano como algo especial, gostei da coincidência.
O segundo norte foi mostrar as diferenças. Principalmente no que tange o ingresso  à faculdade. Quem lê o livro deve notar que em nenhum momento se fala a expressão “ ingressar no mercado de trabalho”, frase hoje sine-qua-non até pra se fazer pulseira de miçanga. A gente ia para a universidade com dois propósitos: namorar, que ninguém é de ferro e se realizar como pessoa mudando o mundo. A gente queria mudar o mundo, não era como hoje que ninguém mais quer mudar nada, só se quer upgrade. Ainda se discutia se a mulher devia ou não trabalhar fora. Ainda se discutia se a moça devia ou não casar virgem. Ainda não se falava palavrão na frente de mulheres, nós estávamos começando a aprender a falar merda em voz alta. Éramos pioneiros. 5 anos depois tudo tinha mudado! até o uso de droga era diferente. Poucos  iriam atrás de uma droga estimulante como cocaína, droga típica da pressa, do ganhar dinheiro, do estresse, a droga predileta dos setores de entretenimento , política e bolsa de valor. Ninguém sequer pensaria em usar extasi, a não ser por experiência sexual. As drogas eram lisérgicas, visuais e calmantes. Tinham o objetivo do prazer, do conhecimento. Não era para ganhar dinheiro . Claro que para se passar no vestibular e virar a noite se usava droga, drogas legais , no sentido de legalizadas. Mas não a minha turma, a turma das ciências humanas. Afinal, nos anos 70, o cara mais atraente fazia história e não engenharia.  Eram valores diferentes.

  Então, Tamiires, esta foi a minha intenção, e eu espero ter passado isso. Espero ter despertado a curiosidade ao lembrar que houve um tempo sem computador, sem telefone celular, sem joguinhos eletrônicos. Um tempo quando ser culto era moda. Quando não se estava interessado em ganhar dinheiro ou ser celebridade. Onde Big Brother não vingaria já que não se estava interessado em ser celebridade. Um apartamento legal não tinha sofá ou televisão das Casas Bahia. Televisão era coisa de careta. Almofadas, estantes repletas de samambaias e livros feitas de caixas d´água ou caixotes de maçã ou tábuas e tijolos. A palavra customizar não existia mas nossas roupas o eram.

 No mais, pergunte!
(José Olympio Editora. Texto e ilustrações meus)

sábado, 6 de outubro de 2012

Filmes bons

Esse mundo tecnológico é uma maravilha. Antigamente, quem quisesse ver um filme tinha de ir até o  cinema.  Então, cinema era coisa de cidade e de cidade grande. Aí veio a TV. Lembro quando ela chegou na minha casa, eu tinha 3 anos. Precisava esquentar primeiro e os filmes em preto e branco eram legendados . Não dava para ler sempre, às vezes coincidia  a letra branca no fundo branco.  Os melhores aniversários infantis tinham "cineminha" Ah! como eu adorava!  Aí TV em cores e o video cassette! A essa altura eu já tinha filhos. Comprei vários títulos para rever, rever, gravei montes da TV e.. sim, DVD!

Hoje, morando no meio do nada, posso assistir filmes pelo computador e pela tv de assinatura. E foi isso que fiz. Liguei a tv pela manhã enquanto pedalava na ergométrica e assisti ao filme Rockstar. Um jovem roqueiro substitui o vocalista de uma banda, passa por drogas/sexo/rockandroll , claro, e ao final do filme decide que essa vida não era para ele, prefere fazer seu próprio som , simples e sem pressão.

Pela tv , hoje, assisti ao filme Se enlouquecer não se apaixone. Eu tinha visto a chamada , mas não me impressionei. Evidentemente um filme pra jovens, e eu, apesar de escrever para jovens não curto filmes para jovens. Gosto de filmes que jovens também gostam, é diferente. Mas não assisti ou li Crepúsculo e vampiros, pra mim, só mesmo A dança dos Vampiros. Vampiros não  me interessam. E filmes em manicomios..ora, depois de Um estranho no ninho e A garota Interrompida, chega, né?
Mas assisti e como assisti! com todo interesse e, ao final, lágrima nos olhos.  Um jovem se sente deprimido, um jovem que teoricamente tem tudo pra ser feliz, e se interna e fica uma semana no manicômio. E se sente mais forte após disso.

Pelo site do Netflix assisti ao filme Paris. Um rapaz está com um problema cardíaco muito sério e sua irmã se muda para seu apartamento com os 3 filhos para cuidar dele. E assim passeamos por Paris, por todos os lados de Paris, por dentro e por fora.

Sim, recomendo, mas me fizeram pensar. Os filmes americanos estão cada vez mais críticos às pressões do sistema, mas as soluções são sempre individuais. Se largam os modelos de "winner" de sucesso, nunca tentam uma solução coletiva. A impressão que  me dá é que o filme é só catarse, nunca crítica. Pois o problema para o roteirista está sempre no protagonista que não sabe viver a vida bem.

Já o filme Paris , apesar de também mostrar que a gente tem muito o que apreciar quando se está vivo, não oferece visões mais otimistas do mundo, apenas usar os sentidos.

São ótimos filmes e os recomendo, mas, que tal nos darmos as mãos para mudar as coisas e culpar os verdadeiros culpados?